Parecia uma boa idéia na época, mas a família Majid agora lamenta profundamente a decisão, três décadas atrás, de chamar seu filho de Saddam.
No Iraque pós-Saddam Hussein, o nome de Saddam Majid se tornou um problema.
"É uma maldição", diz o desertor do exército iraquiano, de volta à Bagdá após sete anos de exílio no Irã.
"Sempre odiei esse nome porque Saddam Hussein causou tanta destruição. Agora, quando vou procurar emprego, sou rejeitado."
Um potencial patrão não o contratou porque outro funcionário havia perdido três irmãos sob o regime brutal de Saddam Hussein.
Um Saddam por semana
A mãe disse que nunca poderia imaginar que o nome escolhido fosse causar tantos problemas para seu filho.
Inúmeras famílias escolheram o nome na esperança de serem favorecidas pelo antigo regime.
Uma das maiores maternidades do país, o hospital Alwiya, disse que eles costumavam registrar um Saddam por semana, em média.
Isso tudo acabou rapidamente após a guerra.
Nascer de novo
Nos últimos meses, nenhuma família escolheu o nome do ex-ditador, preferindo tradicionais nomes muçulmanos como Muhammad, Ali e Hassan.
No ministério do Interior, no centro de Bagdá, funcionários dizem que tem havido um fluxo constante de Saddams, a maioria garotos em idade escolar, buscando mudar o nome que se tornou, para eles, um símbolo de vergonha.
Saddam Majid quer mudar seu nome para Muhammad para melhorar suas chances de arrumar emprego. A taxa de desemprego no Iraque é de 60%.
Ele também acha que ficará mais confortável consigo mesmo.
"Eu me odiava por causa do meu nome. Ser chamado de Muhammad, como o profeta, é como se eu nascesse novamente", diz.