O Parlamento nacional e quatro câmaras regionais deram ao presidente Pervez Musharraf poderes para governar o Paquistão até 2007.
O general Musharraf havia se declarado presidente em 2001, tendo chegado ao poder em 1999 por golpe militar, mas ainda lhe faltava legitimidade constitucional.
A constituição foi emendada esta semana para permitir que ele fosse “eleito” chefe de Estado se conseguisse mais de 50% dos votos.
Partidos de oposição consideraram o procedimento uma farsa e boicotaram a votação. Musharraf foi "eleito" por unanimidade nas câmaras baixas; no Senado, a eleição terminou 56 x 1 a favor de Musharraf.
Parlamento conturbado
Os principais partidos islâmicos se abstiveram de votar, após terem chegado a um surpreendente acordo com o líder militar, permitindo-o completar seu mandato presidencial de cinco anos em 2007.
O correspondente da BBC no Paquistão, Zaffar Abbas, disse que isso foi outro capítulo bizarro na conturbada história política do país.
Analistas dizem que isso marca o fim de uma luta prolongada entre o presidente e o parlamento sobre quanto poder ele deveria ter, apesar de pelo menos um partido de oposição ter declarado não aceitar a medida.
As atividades parlamentares haviam sido interrompidas por protestos desde que Musharaff expandiu seus poderes em 2002.
Deixar o exército
Cenas de parlamentares interrompendo ou abandonando sessões se tornaram comuns.
A nova emenda permite ao presidente dissolver o parlamento e demitir o primeiro-ministro com a aprovação da suprema corte.
Como parte do pacote de medidas que entraram em vigor na quarta-feira, o presidente Musharraf nomeou um novo chefe de justiça para supervisionar a suprema corte.
O escolhido foi um juiz que, no ano 2000, havia se pronunciado a favor do golpe militar.
Segundo o acordo entre o presidente e os partidos da coalisão muçulmana que governa o Paquistão, Musharraf permanece como presidente até 2007, mas deixa de ser o chefe do exército no final de 2004.