Os alertas sobre terrorismo não surtiram efeito. Nova York está transbordando de turistas.
É quase impossivel caminhar em volta de Times Square, e a culpa não é dos camelôs. Eles foram expulsos há mais de um mês.
São turistas festeiros. Na lista semi-oficial de festas de Ano Novo há 101 endereços, com preços que vão até US$ 350 por pessoa, e a maioria não inclui jantar. Só bebidas e salgadinhos.
O mais barato é o Centro Play. Por US$ 35, oferece música de 9 da noite até o meio-dia de quinta e tem o nome que justifica o preço: Baile da recessão.
Os bares gays mais tradicionais e os circuitos marinhos foram os primeiros a esgotar os ingressos, que nos iates estão na faixa de US$ 250. Não é Réveillon para desempregado.
As informações sobre o clube LQ não explicam o que significam as iniciais,
mas o convite esclarece que se trata de uma festa no estilo do carnaval brasileiro, com salgadinhos mexicanos e música para todos os gostos, inclusive samba.
Os infelizes podem acompanhar a bola descer em Times Square em dez telões de plasma, o programa mais concorrido e mais barato da cidade. Fui lá algumas vezes em missões jornalísticas.
A maçã descendo à meia-noite é uma bolha. Depois de uma espera de horas, em pé, no frio, a ação dura dez segundos.
Em seguida, meio milhão de semicongelados saem aflitos em busca de banheiros inexistentes.
Milhares, no ano seguinte, voltam para repetir a dose e ajudar os cofres da cidade. Não adianta falar mal de turistas.
Até eles merecem um feliz Ano Novo.