O governo do Paquistão afirmou que cientistas do país que teriam transferido tecnologia nuclear para o Irã podem ter sido "motivados pela ganância".
"Há indicações de que certos indivíduos possam ter sido motivados por ambições pessoais ou ganância", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior, Masood Khan.
Khan disse que é preciso esperar os resultados de uma investigação sobre o assunto, mas reiterou que o governo nunca autorizou nenhuma transferência de tecnologia nuclear.
"Não vamos nos precipitar em conclusões", disse o porta-voz.
A investigação foi anunciada depois que a Agência Internacional de Energia Atômica – que está inspecionando as instalações nucleares iranianas – tornou públicas as suas suspeitas de que o cientistas paquistaneses teriam vendido conhecimento sobre a produção de uma bomba nuclear ao Irã.
Segundo Khan, "um número muito pequeno" de cientistas está sendo interrogado.
'Pai da bomba'
No entanto, entre os investigados estariam o "pai da bomba" paquistanesa, Abdul Qadeer Khan, e outros dois proeminentes cientistas do principal laboratório nuclear do país.
Uma reportagem do jornal americano The New York Times publicada nesta segunda-feira diz que existiriam evidências de que Abdul Qadeer Khan teria entregado planos para enriquecimento de urânio a outros países.
Entre os países que supostamente teriam comprado segredos nucleares de cientistas paquistaneses, estaria, além do Irã, a Coréia do Norte.
Inicialmente, autoridades paquistanesas haviam negado o fato. Mas o ministro da Informação, Ahmed Rashid, acabou admitindo que alguns cientistas poderiam ter atuado em outros países sem o conhecimento do governo paquistanês.