Saímos do elevado para o alto. Pelo sistema de segurança americano significa do amarelo para o laranja.
Acima, só o vermelho, risco máximo. Combina com a cor do Natal. Há mais policiais nas ruas e estão mais alertas.
Ontem, quando entrei no metrô com uma maleta, um policial se aproximou discretamente e perguntou se eu tinha alguma identidade.
Estranhei porque ninguém neste país é obrigado a carregar identidade. Por acaso eu estava indo ao QG da polícia renovar a credencial e tinha a minha no bolso. Ele examinou, agradeceu e foi embora.
Credenciais
Em Nova York as credenciais de imprensa são emitidas pela polícia e antes do setembro 11 era uma das cidades mais simples para um jornalista se credenciar. Bastava uma carta do patrão para o centro dos correspondentes estrangeiros e para o consulado de origem do jornalista.
Você ia à polícia e saía com sua identidade que dava direito a cruzar barreiras policiais.
Se o jornalista quisesse poderia também requisitar uma placa de imprensa para o carro e um plástico para colocar no pára-brisa. Carros de jornalistas rarissimamente são rebocados.
Nas ruas da cidade, da mesma forma que há espaços reservados para carros de diplomatas e certas secretarias da Prefeitura, há também lugares para carros da imprensa. Só Nova York oferece essa mordomia.
Agora, o credenciamento se tornou um processo complicado.
O jornalista precisa ir em pessoa à polícia levando cartas, formulário e pelos menos três trabalhos recentes provando que ele cobriu crimes e incêndios e outras emergências durante as quais foi obrigado a cruzar barreiras policiais.
Sem essas provas o jornalista recebe uma credencial mais limitada e sem a identificação para o carro.
Os jornalistas mais prejudicados são da imprensa estrangeira que não cobrem crimes locais e incêndios menores ao vivo.
Ainda não podemos nos queixar de censura, mas estamos a caminho.
O país está cada dia mais fechado.