O Conselho Ulema, um grupo islâmico da Somália, afirmou nesta segunda-feira que o uso e a venda de camisinhas estão proibidos no país.
Os líderes do grupo afirmam que vão utilizar a Lei do Islã – que prevê até o açoitamento – para punir aqueles que desrespeitarem a proibição.
A decisão foi uma resposta a uma campanha promovida por uma rádio e financiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar a população sobre os perigos da Aids.
O presidente do Conselho Ulema, o xeque Nur Barud, afirmou em uma reunião pública que o uso de preservativos no país vai aumentar o adultério, e que aqueles que o promovem devem ser punidos.
Divisão
O correspondente da BBC na capital do país, Mogadishu, Mohammed Olad Hassan, afirmou que os moradores da cidade estão dividos sobre a orientação dos líderes religiosos.
Alguns são a favor do uso de camisinhas como proteção contra o vírus HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, mas outros discordam.
Os preservativos são distribuídos gratuitamente em instituições médicas de Mogadishu.
Por causa dos confrontos de mais de uma década – a Somália enfrenta guerras entre líderes de milícias regionais desde 1991 –, foram feitas poucas pesquisas sobre a incidência da Aids na Somália.
Uma pesquisa da Unaids, a agência da ONU para a doença, indica que 70% das jovens somalis jamais ouviram falar da doença.
Outras organizações humanitárias que atuam no país temem que a doença esteja se proliferando por causa da imigração de cidadãos do Quênia, Djibouti e Etiópia.