Centenas de jovens mulheres foram às ruas de Paris em uma passeata em protesto contra um projeto de lei que proíbe o uso de símbolos religiosos em escolas francesas.
As manifestantes, muitas com as cabeças cobertas, carregavam várias bandeiras da França e gritavam palavras de ordem, exigindo o direito de escolha como cidadãos livres em uma democracia.
O presidente da França, Jacques Chirac, manifestou na quarta-feira o seu apoio à aprovação da lei.
"A laicidade é a pedra fundamental da República, é o conjunto de nossos valores comuns de respeito, tolerância e diálogo", afirmou Chirac.
O presidente também recusou a proposta de que sejam criados no calendário francês um feriado judeu e outro muçulmano.
Laicidade
A decisão de Chirac é baseada no relatório Stasi (nome do presidente de uma comissão que analisou durante cinco meses a aplicação do princípio da laicidade na França).
Analistas políticos afirmam que o debate está incendiando a França.
Muitos acreditam que o problema de integração dos muçulmanos à sociedade francesa é um dos mais explosivos do momento.
No relatório de 68 páginas entregue na semana passada ao presidente francês, a comissão defende a proibição de símbolos religiosos ostensivos (como véus islâmicos, quipás e grandes crucifixos) nas escolas, hospitais e edifícios da administração pública.
O uso de símbolos políticos nas escolas também deve ser proibido, segundo a comissão.
O grupo propôs ainda que sejam incluídos no calendário francês dois feriados religiosos não-católicos: a festa judaica do Kipur e a de Aïd-el-Kebir, muçulmana.
Esses novos feriados não devem ser aprovados por Chirac.