A câmara alta do Parlamento alemão, equivalente ao Senado no Brasil, aprovou nesta sexta-feira uma das maiores reformas da história recente da Alemanha.
O pacote de medidas proposto pelo governo inclui cortes na previdência social e no setor de saúde, assim como uma redução de subsídios estatais.
Por outro lado, o governo vai cortar os impostos em uma tentativa de reaquecer a economia alemã, que está em crise.
Neste ano o crescimento econômico na Alemanha deverá ficar pouco acima de zero por cento.
Incentivo
No total, os contribuintes alemães vão pagar 15 bilhões de euros a menos em impostos e taxas a partir de 2004.
Esse montante deverá ser financiado através de cortes no orçamento público e da privatização de estatais.
Entre as medidas aprovadas pelo Parlamento estão também cortes no seguro-desemprego.
Além disso, no futuro, quem estiver desempregado e recusar um emprego oferecido pelo governo não vai receber mais dinheiro do Estado.
Empresas com menos de dez empregados também terão mais liberdade para demitir funcionários a partir de 2004.
Flexibilidade
A aprovação do pacote está sendo vista como um passo importante em direção ao objetivo de tornar o mercado de trabalho alemão mais flexível.
Na Alemanha, 10% dos trabalhadores estão desempregados.
Os economistas esperam que a redução de impostos aqueça o consumo interno e tenha um impacto positivo na economia do país.
O pacote foi aprovado pelo Parlamento depois de muitas brigas e discussão entre o governo e partidos de oposição, que acabaram chegando a um consenso pouco antes da votação.
O consentimento dos partidos de oposição era necessário, já que eles dominam a câmara alta, que poderia bloquear algumas medidas.
A briga do chanceler Gerhard Schröder para aprovar o pacote lembra os esforços do presidente Lula, que, como Schröder, é um líder de esquerda tentando aprovar medidas impopulares.
Schröder também enfrentou resistência dentro de seu próprio partido, o social-democrata, e comprou uma briga com os sindicalistas alemães.
Os sindicatos já anunciaram que irão às ruas para protestar contra o pacote, que eles consideram injusto.