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Irã deve ser indenizado, diz líder iraquiano

O chefe do Conselho de Governo transitório do Iraque disse nesta quarta-feira que o Irã merece receber uma compensação pela guerra movida contra o país por Saddam Hussein, nos anos 80.

Em Londres, depois de se encontrar com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, Abdel-Aziz Al-Hakim disse que as Nações Unidas já reconheceram o direito iraniano de receber a compensação.

No entanto, Al-Hakim disse que ainda é necessario decidir se o próprio Iraque irá pagar.

Autoridades iranianas disse que o Iraque lhe deve cerca de US$ 100 bilhões, devido às mortes e prejuízos registrados durante a guerra entre os dois países (1980-1988).

Kuwait

Para defender seu direito a uma compensação, o Irã argumenta que o Kuwait já recebeu bilhões de dólares para cobrir os prejuízos ocasionados pela invasão iraquiana de 1990.

Al-Hakim, um xiita que está ocupando o cargo rotativo de presidente do Conselho de Governo, é o líder de uma organização chamada Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque.

O Conselho tem ligações estreitas com as autoridades de Teerã e era baseada em território iraniano durante os anos de governo de Saddam Hussein.

O repórter da BBC Ian MacWilliam, que acompanhou a visita de Al-Hakim, disse que é lógico esperar que o Iraque pós-Saddam desenvolva boas relações com o Irã.

Isso porque a maior parte dos iraquianos é xiita, e espera-se que um futuro governo democrático no Iraque seja dominado por representantes dessa parcela da população.

Khatami

No Irã, o presidente Mohammad Khatami colou em dúvida a possibilidade de Saddam Hussein ser submetido a um julgamento justo.

Segundo Khatami, tal julgamento seria improvável, porque ele poderia revelar fatos potencialmente embaraçosos para aqueles que agora querem ver o líder iraquiano encarando a justiça.

"Saddam vai, sem dúvida, fazer declarações que não vão agradar a muitas pessoas que estão se voltando contra ele", disse Khatami.

O Irã está preparando uma série de acusações que deve apresentar contra o ex-presidente iraquiano, mas Khatami diz que é contra uma possível pena de morte.

"Contudo, eu acredito que, se há casos em que seria justo que houvesse uma execução, o mais justo de todos seria no caso de Saddam."