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'Testemunhas do genocídio em Ruanda estão sendo mortas'

Potenciais testemunhas do genocídio que matou cerca de 800.000 pessoas em Ruanda, em 1994, estão sendo mortas ou intimidadas, de acordo com a organização não-governamental ruandesa Ibuka.

A ONG, que representa sobreviventes da matança, pediu ao governo do país que ponha fim a essas ações.

O porta-voz da Ibuka, Benoit Kaboyi, disse que testemunhas estão sendo silenciadas numa tentativa de minar o sistema de justiça rural introduzido há 18 meses no país, a gacaca (pronuncia-se gatchatcha).

A Ibuka afirma que um ou dois sobreviventes do genocídio são mortos todos os meses e três potenciais testemunhas foram assassinadas recentemente na província de Gikongoro, no sudoesde do país.

Um homem foi morto e desmembrado na frente de sua família como advertência a outras potenciais testemunhas, diz a ONG ruandesa.

Damas Gatare, um porta-voz da polícia, disse à BBC que ocorreram dois assassinatos em Gikongoro, mas que esses foram casos isolados. Gatare negou a ocorrência do aumento de ameaças a testemunhas desde a implementação dos tribunais da gacaca.

O policial disse que vários suspeitos foram detidos em conexão com os assassinatos.

Cerca de 100 mil suspeitos de genocídio ainda aguardam julgamento.

Fontes do governo esperam ampliar a gacaca para todo o país no ano que vem.