O Supremo Tribunal de Justiça de Israel aceitou nesta terça-feira o recurso de 60 palestinos, habitantes da aldeia de El-Has, ao leste de Jerusalem, contra a construção do muro na área da aldeia.
Segundo o traçado já publicado do plano da construção, o muro deverá passar no meio da aldeia, isolando essas 60 pessoas tanto do lado palestino quanto do lado israelense.
O Supremo Tribunal instruiu o Estado a explicar a razão do traçado do muro e justificar porque a barreira deverá passar ao leste das casas dos autores do apelo e desconectá-los dos territórios palestinos e da própria aldeia.
Se a explicação do Estado não for satisfatória, o Tribunal poderá congelar a construção do muro neste trecho.
Outros casos
Esta é a primeira vez que a mais alta instância jurídica de Israel aceita um recurso de palestinos que se sentem prejudicados pela construção do muro.
Mais dezenas de aldeias palestinas apresentaram apelos contra a construção do muro ao Supremo Tribunal de Justiça.
Se a sentença de hoje servir de precedente, o governo israelense poderá se deparar com sérios obstáculos jurídicos para prosseguir com a construção do muro.
Segundo organizações de direitos humanos o muro vai prejudicar a vida de centenas de milhares de palestinos, pois deverá separar pessoas de seus parentes, aldeias das cidades vizinhas e agricultores de suas terras.
Segundo as autoridades israelenses o objetivo do muro é ''impedir a passagem de terroristas em direção as cidades israelenses''.
A Autoridade Palestina protestou contra a construção e afirmou que o muro passa dentro de seus territorios e, com o final do projeto já aprovado, deverá anexar de fato 16% da Cisjordania a Israel.