A última vez que eu entrei numa roda-gigante, ela não falava. Agora, falam.
Parece que botaram o raio de um pequeno alto-falante em cada cadeira, ou cabine, dependendo da roda, e uma gravação vai descrevendo o que o cidadão está vendo.
A última vez que eu entrei numa roda-gigante, ele não descrevia coisa alguma.
Ninguém pensava em usar roda-gigante como atração turística. Agora, pensam. Agora, usam.
O resultado é que pode sair numa confusão dos diabos, conforme se dizia.
Exemplifico com o caso da simpática cidade de Birmingham.
Engalanando-se para o fim de ano, orgulhosa de sua vida cultural e comercial, suas noites divertidas e dias movimentados, a chamada “segunda cidade da Inglaterra”, além de berço do metaleiro e, agora, astro de televisão, Ozzy Osbourne, resolveu que uma roda-gigante viria a calhar, conforme se dizia, para os feriados de Natal.
As devidas autoridades tomaram as devidas providências, foram elas também às compras e descobriram que as melhores e mais modernas rodas-gigantes estão sendo fabricadas na França e oferecem ainda a vantagem de preços moderados.
Compraram, instalaram, botaram para funcionar. A tal da roda-gigante que falava.
Parece, no entanto, que ninguém cuidou de apurar a questão da descrição por áudio-cassete.
A roda rodava e o áudio narrava. Narrava o quê? A beleza que é Paris, capital da França, país logo aqui ao lado de Birmingham.
Mais: narrava em francês digno da Comédie Française – uma maravilha!
Contava a história e decantava a beleza de atrações como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Catedral de Notre Dâme.
O freguês ouvia, olhava em torno e lá estava Birmingham, outra cidade-luz mais disponível.
Que fizeram as autoridades locais? Novo tape? De jeito nenhum.
A roda-gigante parisiense fez um sucesso tão espetacular que 24 mil pessoas já a visitaram em menos de um mês.
A roda-gigante de Birmingham continuará exatamente do jeito que está.
Outras cidades da Inglaterra, no entanto, já se mostraram interessadas no esquema.