Uma comissão especial criada pelo governo da França recomendou nesta quinta-feira que a utilização de símbolos religiosos evidentes seja proibida nas escolas do país.
Entre os símbolos citados pela comissão estão os véus que cobrem a cabeça das muçulmanas, o solidéu utilizado por judeus e os grandes crucifixos de cristãos.
No entanto, em uma concessão aos grupos não-cristãos, a comissão pediu às escolas públicas que adotem um feriado judaico e um muçulmano.
A comissão examinou durante três meses como o Estado laico deve tratar minorias religiosas. O presidente francês, Jacques Chirac, disse que vai anunciar na próxima quarta-feira se vai introduzir uma legislação sobre o lenço utilizado pelas muçulmanas.
Atualmente, cada escola e cada Câmara Municipal decide se as meninas podem usar o lenço. A questão causou um acalourado debate no país, que abriga a maior comunidade muçulmana da Europa – cerca de cinco milhões de pessoas.
Consulta
O presidente da comissão, Bernard Stasi, consultou vários setores da opinião pública, inclusive professores, líderes religiosos, sociólogos e políticos, antes de entregar o relatório de recomendações ao presidente francês.
A questão foi ressaltada por vários casos de expulsão ou suspensão de meninas de escolas por utilizarem véus na cabeça em suas instalações.
A correspondente da BBC em Paris, Caroline Wyatt, disse que o lenço na cabeça se tornou o ponto central de um debate nacional na França.
O tema, de acordo com Wyatt, reflete muitos dos temores silenciosos no país sobre o fracasso em integrar seus imigrantes muçulmanos ou dar a eles uma identidade cultural puramente francesa.
O líder dos rabinos da França, Joseph Sitruk, se uniu a representantes de igrejas cristãs para protestar contra a proibição de símbolos religiosos.
"Que aberração é essa desejar amordaçar religião em nome do secularismo", disse Sitruk em entrevista a um jornal.
Alguns muçulmanos se opõem ao uso de lenços na cabeça, enquanto outros acreditam que o debate tem mais a ver com a preocupação francesa com o crescimento da população muçulmana.