Um alto representante do governo americano teve nesta quarta-feira um encontro com autoridades russas em Moscou para discutir os planos de instalar bases militares da Otan mais próximas das fronteiras russas.
O subsecretário de Estado para assuntos políticos, Marc Grossman, se encontrou em Moscou com o vice-ministro do Exterior russo, Vladimir Chizhov, para conversar sobre a possível mudança das bases, um assunto considerado delicado para Moscou.
Grossman disse que procurou enfatizar que a Guerra Fria acabou e que o reposicionamento das forças da Otan é necessário para que o país possa se defender de novas ameaças.
O subsecretário disse à agência de notícias Associated Press que os Estados Unidos consideram a Rússia "um parceiro no enfrentamento dessas novas ameaças" e salientou que as futuras mudanças "não são voltadas contra nenhum país".
Romênia e Bulgária
De acordo com o analista de assuntos de defesa da BBC Jonathan Marcus, o colapso da União Soviética, em 1991, deixou os Estados Unidos com uma cara rede de bases na Europa que tem cada vez menos a ver com as ameaças atuais às Estados Unidos no Oriente Médio ou no Cáucaso.
No entanto, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Ivanov, admitiu que as mudanças causam tensão no Kremlin.
"Qualquer plano de trazer a infra-estrutura da Otan para mais perto de nossas fronteiras causa uma preocupação absolutamente compreensível e explicável", disse Ivanov à Associated Press.
"A segurança de alguns não deve ser à custas da de outros."
Mais cedo, também na quarta-feira, o subsecretário de Defesa americano, Douglas Feith, visitou a Romênia e a Bulgária, para sondar a possibilidade de posicionar novas bases da Otan nesses países.
Feith disse que as discussões ainda estão em seus estágios iniciais.