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Pantomima


Natal na esquina e os teatros britânicos começam a montar “pantomimes”, as pantomimas – uma tradição datando do século 19 com fortes raízes na commedia dell´arte.

As pantomimas, em geral, baseiam-se nas tradicionais histórias infantis e incorporam danças e canções, pastelão e muita participação da platéia. Em geral, é o primeiro e saudável contato das crianças com o teatro.

As pantomimas mais populares são Peter Pan, Aladim, Ali Babá e Cinderela, que também, para nós, pode se chamar A Gata Borralheira.

Há muito travestismo e referências a eventos atuais, que podem ir da política aos esportes.

Auto-estima

Há sempre, no entanto, alguém querendo estragar a festa. Como a fada má no batizado de Branca de Neve ou a Madrasta na Cinderela.

Esta distinção, este ano, vai para os professores americanos Lon Baker-Sperry e Liza Grauerholz que, no mais recente exemplar da revista acadêmica Gênero e Sociedade, investem com fúria digna do Capitão Gancho contra o simpático e inócuo divertimento.

A dupla dinâmica não aprova em nada aquilo que chama de “confronto entre a construção cultural das narrativas do folclore popular e conceitos infantis”.

Note-se que o duo dinamitador emprega o verbo “to interface” que, mais dia, menos dia, chegará ao Brasil como interfacear, o que me parece castigo para pecados passados e presentes.

Mas voltando à tese norte-americana. Os dois professores argumentam que contos de fadas, feito Cinderela, estão tão abarrotados de estereótipos destinados a solapar a auto-estima dos jovens numa medida só comparável aos videoclipes.

A dra. Grauerholz diz que, desde muito cedo, as meninas que lêem histórias de princesas que acabam ricas devido à sua beleza física tendem a equacionar esse fato com o que a sociedade delas espera, o que as inibe e prejudica a vida interior.

Os dois pesquisadores, no entanto, adoraram o filme Shrek, porque, no fim, uma bela donzela alegra-se de virar ogre, o que não acontece com a pobre da Cinderela, da Branca de Neve e o resto dos brotos.

O didático par não parou para considerar a possibilidade de todas essas histórias não constituírem mais que puro e simples caso de mobilidade social. Conforme é lenda e praxe no país deles.

Levem soldadinhos britânicos para o Iraque, se quiserem. Agora, deixem as pantomimas em paz.