O alemão Armin Meiwes, acusado de ter assassinado e comido um outro homem, revelou detalhes do incidente nesta quarta-feira, primeiro dia de seu julgamento em Kassel, no centro da Alemanha.
Meiwes afirmou que tinha uma fantasia e a realizou, e que filmes de terror na infância incentivaram o seu desejo de devorar colegas de escola.
"Meu amigo gostou de morrer, ele gostava da morte. Apenas esperei, horrorizado pelo seu fim, que levou muito tempo", disse Meiwes.
O alemão disse aos investigadores que depois de levar Bernd-Jurgen Brandes, de 43 anos, para casa, a vítima concordou em ter seu pênis amputado. Em seguida, Meiwes teria flambado o membro, e os dois teriam comido juntos.
Armin Meiwes admite ter matado, dissecado e comido Brandes e responde a processo por assassinato para satisfação sexual, embora afirme que a vítima consentiu o ato de canibalismo ao responder um anúncio pela internet.
Caso inédito
Meiwes, um técnico de computação de 41 anos, contou também como se sentia ignorado pelo pai, e ansiava por um irmão mais novo que fosse bonito, com quem ele pudesse estar unido para sempre se o devorasse.
O caso de canibalismo veio à tona em dezembro de 2002, quando Meiwes foi preso. Agora, a Justiça está diante de um dilema.
O juiz vai ter que decidir que pena dar ao acusado, já que o crime foi cometido a pedido da vítima. Este é o primeiro caso de "canibalismo consentido" na Alemanha, um delito que não está previsto no código penal alemão.
O julgamento deve durar duas semanas e está atraindo a atenção da imprensa local e internacional. Partes do vídeo de duas horas em que Meiwes filmou a morte e o esquartejamento da vítima deverão ser exibidos durante o processo.
A opinião pública alemã acompanha o julgamento com a curiosidade mórbida de quem vê um filme de terror. Jornais sensacionalistas já anunciaram que vão divulgar todos os detalhes do processo.
A promotoria pede pela prisão perpétua. Armin Meiwes declarou através de seu advogado que lamenta o que fez, e que sua vontade de comer carne humana está saciada de uma vez por todas.
Se condenado, no entanto, ele diz que pretende passar o seu tempo na cadeia escrevendo suas memórias.