O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou as declarações do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gavíria, que negou ter encontrado indícios de fraude na campanha lançada pela oposição por um referendo sobre o mandato do presidente.
"Gavíria disse que não havia nada de anormal e disse algo muito mais grave: defendeu a liderança da oposição. Creio que passou do limite. Quem, como observador, não é imparcial, perde qualquer moral", afirmou Chávez.
Em entrevista à BBC, Gavíria afirmou que o processo de coleta de assinaturas na Venezuela ocorreu "com muita normalidade, muita tranqüilidade".
"Claro que Gavíria não viu anormalidades, porque houve assinaturas fantasmas, invisíveis", rebateu o presidente venezuelano.
'Firmazos'
Tanto os seguidores quanto os opositores do presidente venezuelano festejaram o fim da campanha pela coleta de assinaturas até as primeiras horas desta terça-feira.
Em uma zona residencial da parte leste da capital, Caracas, os anti-chavistas comemoravam a suposta derrota do rival e o triunfo que se atribui aos chamados "firmazos", a coleta de assinaturas.
Já o presidente da Venezuela e os chavistas celebraram nas portas do palácio presidencial, no populoso centro de Caracas, o suposto fracasso da iniciativa da oposição.
Os dois setores divulgarão nesta terça-feira seus próprios números sobre a coleta de assinaturas.
O diretor do comitê eleitoral, Jorge Rodríguez, alertou que não se pode confiar em nenhum dos números divulgados até agora e que as únicas cifras válidas serão as que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) revelar em janeiro.
Rodríguez afirma que o número oficial vai "ridicularizar" as cifras divulgadas tanto pelo governo quanto pela oposição.
Requisitos
Os números oficiais só serão conhecidos depois que o CNE apurar e anular as assinaturas duplicadas e falsificadas e aquelas que não cumpram certos requisitos.
O líder da oposição Henry Ramos Allup disse que foram coletadas 4 milhões de assinaturas e não reconheceu as 2,6 milhões de assinaturas que os "chavistas" dizem ter conseguido.
Da mesma forma, Chávez asegurou que nem com uma "megafraude" a oposição conseguiu o mínimo de 2,4 milhões necessários para submetê-lo a um referendo, que poderia acontecer no primeiro semestre de 2004.
Chávez mostrou documentos de identidade de "falecidos que assinaram", mencionou estrangeiros e venezuelados que não tinham autorização de participar do documento e que o fizeram e também outros que assinaram o documento mais de uma vez.
O presidente venezuelano afirmou ainda que idosos foram chantageados com a não entrega de alimentos caso não assinassem o documento.