Milhares de afegãos sentiram o primeiro gosto de democracia nesta segunda-feira, com o início do registro de votantes para as eleições nacionais marcadas para junho do ano que vem.
Muitos analistas acreditam que a eleição é crítica para restaurar a confiança no processo político do país.
Na capital, Cabul, estão sendo realizadas reformas, mas muitas são irrelevantes no restante do país.
Jalalabad fica a uma distância de apenas quatro horas de Cabul, mas na medida em que se deixa uma cidade de carro e se segue para outra fica aparente o abismo entre elas.
A poeirenta estrada nos leva a uma área predominantemente patã.
Nos últimos 18 meses, o grupo étnico majoritário no Afeganistão tornou-se gradativamente alienado do governo central. Muitos patãs estão ressentidos com uma administração que, eles acreditam, é dominada por tadjiques, originários do norte do país.
Violência
As Nações Unidas, que estão organizando a votação, estimam que cerca de dez milhões de pessoas estão habilitadas para votar, mas luta para conseguir convencer muitos a participarem.
A violência nas áreas patãs do sul e no leste do Afeganistão – onde forças remanescentes do Talebã e de seus aliados lançam ataques regulares – já está prejudicando o registro de eleitores.
Integrantes do antigo regime advertiram que vão atuar contra as eleições.
Para que as eleições sejam livres e justas, todos os afegãos precisam estar envolvidos no processo político.
Teme-se que a introdução da democracia em um país ainda não pacificado vá reforçar divisões ao invés de saneá-las.