Mais de 800 paramilitares da Colômbia entregaram suas armas, em uma cerimônia realizada na cidade de Medellín, na manhã desta terça-feira.
Os homens deixaram as armas junto aos pés do alto comissário para a Paz da Colômbia, Luiz Carlos Restrepo, que manifestou sua esperança de que outros grupos façam o mesmo.
A desmobilização do grupo, o bloco Cacique Nutibara, está sendo considerado o primeiro passo do processo de paz entre as autoridades colombianas e o principal grupo paramilitar de direita do país, as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).
"Dessa maneira damos um passo adiante, importante, neste processo de desmobilização das Autodefesas, e esperamos, claro, que isso nos abra o caminho para futuras desmobilizações de frentes e blocos das Autodefesas em todo o território nacional", concluiu Restrepo.
A facção desmobilizada vai passar as próximas três semanas em um acampamento do governo, em um programa de reabilitação e reincorporação à vida civil mediante apoio psicológico e capacitação.
Acordo
Com essa primeira desmobilização, as AUC começam a cumprir um dos pontos acertados entre o governo colombiano no chamado Acordo de Santa Fé de Ralito.
Segundo o acordo, as AUC se comprometeram a iniciar sua desmobilização antes do final deste ano e complentá-la antes do fim de 2005. Estima-se que o grupo paramilitar tenha um efetivo de cerca de 13 mil pessoas.
O acordo, assinado no dia 15 de julho deste ano, foi o resultado da "fase exploratória" entre as duas partes e que se iniciou em dezembro de 2002.
O processo de negociação com os grupos paramilitares tem dois aspectos que ainda não geraram resultado: o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, por alegação de envolvimento no narcotráfico, dos líderes das AUC, e o projeto de lei "alternativida penal" que o governo colombiano apresentou ao Congresso há alguns meses.
Carlos Castaño, líder das AUC, pediu salvoconduto para as negociações e a suspensão das ordens de extradição enquanto os acordos estão sendo acertados, o que foi rejeitado pelo governo americano.
O projeto de alternativa penal, por outro lado, vem sendo criticado severamente por parte de dirigentes e organizações de defesa dos direitos humanos, ao destacar que esse é um passo em direção à impunidade dos paramilitares acusados de crimes hediondos e contra a humanidade por causa dos massacres e assassinatos cometidos.