O presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze, renunciou ao cargo em meio a protestos por causa de suspeitas de fraude nas eleições parlamentares realizadas no início deste mês.
A renúncia aconteceu após um encontro entre Shevardnadze e o líder da oposição, Mikhail Saakashvili, na residência do presidente na capital do país, Tbilisi.
O ministro do Exterior russo, Igor Ivanov, que participava da conversa como mediador já havia deixado o local dizendo que seu papel de negociador havia terminado.
Milhares de pessoas estão nas ruas de Tbilisi comemorando o que eles chamam de "revolução de veludo".
Crise
Na manhã deste domingo, Shevardnadze havia admitido a possibilidade de realizar novas eleições se os manifestantes desocupassem o prédio do Parlamento.
"Tudo pode ser discutido, incluindo eleições presidenciais antes do prazo ou a repetição da eleição parlamentar", disse ele.
Mas, segundo o líder da oposição, Mikhail Saakashvili, já estava "muito tarde" para iniciar conversas pacíficas com o presidente. Ele chegou a convocar os simpatizantes da oposição para uma passeata até a casa de Shevardnadze.
Shevardnadze declarou estado de emergência e ameaçou usar o Exército para impor a medida, mas o ministro da Defesa, David Tevzadze, dissse que não seria necessário usar a força para restabelecer a ordem.
Milhares de manifestantes mantiveram uma vigília por toda a noite, pedindo a renúncia do presidente por causa de suspeitas de fraude nas eleições parlamentares realizadas no início deste mês.
Os Estados Unidos e a ONU (Organização das Nações Unidas) haviam pedido moderação ao presidente em sua tentativa de conter o que ele chama de "golpe", e a oposição, de "revolução de veludo". Líderes em todo o mundo também haiam pedido moderação, e outras ex-repúblicas soviéticas condenaram a ação da oposição.
Tomada do Parlamento
A tomada do Parlamento da Geórgia ocorreu depois de uma grande manifestação pelas ruas de Tbilisi.
Os manifestantes entraram no prédio quando o presidente discursava na abertura da primeira sessão dos escolhidos nas eleições legislativas, consideradas fraudulentas por observadores internacionais.
Shevardnadze foi retirado do prédio por seus guarda-costas. Imagens de TV mostraram cenas que lembravam os movimentos que derrubaram governos comunistas no leste europeu há mais de dez anos.
Saakashvili e outros líderes da oposição declararam ter realizado uma outra "revolução de veludo".