O principal líder de oposição da Geórgia, Mikhail Saakashvili, prometeu uma revolução pacífica no país depois que os resultados oficiais das eleições parlamentares deram vitória ao governo.
Opositores do governo e manifestantes se reuniram no centro da capital da ex-república soviética, Tbilisi, e pediram a renúncia do presidente Eduard Shevardnadze.
Segundo o secretário do Conselho de Segurança, Tedo Japaridze, a contagem dos votos foi marcada por fraudes.
Tanto a oposição quanto analistas internacionais já alegaram que as eleições foram manipuladas.
Boicote
A polícia bloqueou as ruas ao redor do parlamento e do gabinete do presidente nesta sexta-feira, quando centenas de pessoas da oposição começaram a protestar.
Grupos de apoio ao governo também saíram às ruas para comemorar os resultados. Analistas alertaram que conflitos violentos poderiam acontecer se os grupos se encontrassem.
O novo Parlamento deve se reunir neste sábado, mas os parlamentares da oposição estão querendo boicotar o encontro.
Saakashvili quer que as forças de segurança não interfiram nos protestos e pediu que os atuais líderes do país fujam.
"O povo da Geórgia está aqui", disse ele. "Nós vamos acabar com esse governo amanhã. O melhor que eles têm a fazer é fugir agora mesmo. Este é o fim de Shevardnadze."
Segundo ele, há "uma revolução sem violência, democrática e pacífica" acontecendo no país, e a polícia não terá necessidade de interferir.
Violência
Japaridze alertou contra a tentativa de retirar o presidente do poder. "Se o conflito começar, poderemos ter muito mais violência agora do que na época da guerra civil, no começo dos anos 90."
O líder do Conselho de Segurança, que raramente faz pronunciamentos públicos, disse que não poderia ficar quieto nessa ocasião.
A vitória do presidente foi confirmada quando os resultados oficiais foram divulgados na quinta-feira. As eleições aconteceram no dia 2 de novembro.
O presidente pertence ao partido Por uma Nova Geórgia, que ganhou com 21% dos votos, derrotando os partidos Renovação e Movimento Nacional. As pesquisas pré-eleitorais mostravam que Por uma Nova Geórgia perderia cadeiras no Parlamento.
O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Adam Ereli, condenou a eleição, dizendo estar desapontado com os resultados e com o líder do país. "Os resultados não refletem a vontade do povo, e sim uma eleição fraudulenta."
Os Estados Unidos investiram bilhões de dólares para ajudar o país e para construir um oleoduto na região, que é um local estratégico para o transporte de petróleo.