Não faltam críticas à proposta da Alca (Área de Livre Comércio das América) no grupo de representantes de multinacionais que participam do Fórum Empresarial da Alca, em Miami.
Cerca de mil empresários e executivos dos 34 países que negociam o que pode ser o maior bloco comercial do mundo participam do evento no hotel Hyatt-Regency, que funciona como fórum paralelo às negociações oficiais.
Os ataques à proposta, resultado de um acordo entre Estados Unidos e Brasil, partem principalmente de representantes de multinacionais frustrados com a retirada de temas da mesa de negociação considerados por eles fundamentais para uma área de livre comércio.
A Alca ideal para esse grupo teria, por exemplo, regras comuns sobre investimentos, protegendo investidores estrangeiros no novo bloco, e também normas regulamentando a propriedade intelectuais. Mas esses temas, por pressão do Brasil, acabaram saindo da pauta de negociações da nova proposta que foi apresentada no sábado.
A La Carte
Essa proposta, que já está sendo chamada de “Alca à la carte” (porque oferece um cardápio e cada país escolhe que pontos quer negociar) é vista por muitos como uma vitória da diplomacia brasileira.
Mas, para muitos representantes da comunidade empresarial americana, o novo acordo é visto como uma derrota.
“A saída, agora, parecem ser as negociações bilaterais, mas vamos continuar fazendo pressão para alcançar um acordo de verdade. Como está sendo negociada agora, a Alca perdeu o sentido”, disse a representante de uma empresa multinacional de telecomunicações, que não quis se identificar.
“Para proteger os subsídios aos agricultores, o governo acabou cedendo em pontos fundamentais do acordo”, acrescentou.
Ela se refere à queda de braço entre Brasil e Estados Unidos que antecedeu a apresentação da nova proposta às delegações em Miami, no sábado.
Para fechar essa proposta, as duas principais forças da Alca selaram uma trégua depois de meses trocando acusações sobre o fracasso das negociações de Cancún, no México.
Alca “fraca”
Por um lado, o Brasil aceitou que os subsídios à produção, concedidos a agricultores americanos – que prejudicam, por exemplo, as exportações brasileiras de açúcar para os Estados Unidos – saíssem da mesa de negociações.
Por outro, os Estados Unidos concordaram em tirar das negociações temas polêmicos que poderiam levar a reunião a mais um impasse.
Entre esses temas estão justamente alguns dos assuntos mais importantes às multinacionais americanas, como as regras de proteção às multinacionais americanas e aos investimentos.
“A Alca que está sendo negociada é fraca se considerarmos os interesses das multinacionais americanas. É também muito fraca se for comparada a outros acordos como o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte)”, disse Eduardo Gamarra, diretor do Centro de América Latina e Caribe da Universidade Internacional da Flórida.
“Mas, se lembrarmos que, até pouco tempo, muitos acreditavam que Miami fosse repetir o fracasso de Cancún, não há como concluir que uma Alca fraca, agora, é melhor do que nada. Os empresários americanos precisam ter paciência”, acrescentou Gamarra.
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