Os responsáveis pelo ataque desta sexta-feira a um comboio de jornalistas portugueses no sul do Iraque pediram um resgate de US$ 50 mil pelo repórter da rádio TSF, Carlos Raleiras.
O grupo de seis jornalistas, em três carros, seguia na manhã desta quinta-feira do Kuwait em direção a Chaiba, perto de Basra, onde estão alojadas as tropas portuguesas, quando foram atacados por dois carros com homens armados.
Segundo a televisão portuguesa TVI, o seqüestro foi realizado por um grupo bem
organizado, que já teria baixado o valor inicial do resgate pedido pela libertação de Raleiras.
De acordo com a emissora de televisão Euronews, milhares de soldados britânicos estão na região na tentativa de resgatar o repórter português.
Ferida
No ataque desta sexta-feira, uma repórter da televisão SIC, Maria João Ruela, foi ferida e teve de ser submetida a uma cirurgia na perna no hospital das tropas britânicas em Basra.
Em declarações à TSF, o enviado da televisão RTP, Armando Seixas Ferreira, contou que os dois carros tentaram empurrar o jipe que ele dirigia para o acostamento. Ferreira acelerou e avisou os dois outros jipes que estavam sendo atacados.
Um dos carros, em que seguiam Maria João Ruela e Carlos Raleiras, optou por dar meia volta e tentar despistar os homens armados, mas foi alcançado.
O terceiro ocupante do veículo, o câmera Rui do Ó, saiu ileso – há sete meses, ele tinha sido o único que escapou com vida de um acidente em um carro com jornalistas em uma viagem de Amã a Bagdá.
Sem escolta
A distância que os jornalistas iam percorrer da fronteira do Kuwait até a localidade de Chaiba, era de 200 quilômetros. O ataque foi próximo da localidade de Mardits e ocorreu por volta das 8h30 no horário local.
Segundo Ferreira, eles decidiram seguir mesmo sem escolta por considerar a distância da viagem curta. Normalmente, os jornalistas de outros países só saem pelo Iraque acompanhados por uma escolta militar.
Este foi o segundo ataque a jornalistas portugueses em dois dias no Iraque. Na quinta-feira, as vítimas estavam em um carro que fazia o mesmo caminho.
O carro foi roubado, assim como todo o equipamento dos jornalistas, que foram deixados no deserto e tiveram de andar mais de uma hora para chegar na primeira estrada, onde foram recolhidos por soldados americanos.
Comoção
O ataque aos jornalistas causou um sentimento de solidariedade em todo o país.
Mesmo na Bolívia, onde vai participar da Cúpula Ibero-americana, o presidente Jorge Sampaio fez uma declaração manifestando solidariedade com os jornalistas.
O governo português enviou o avião oficial do governo para levar Maria João de volta a Portugal.
No âmbito internacional, uma das primeiras organizações a exigir a libertação de Raleiras foi a Repórteres Sem Fronteiras, em um comunicado emitido no começo da tarde.