Os organizadores de um memorial às vítimas do Holocausto, em Berlim, na Alemanha, decidiram manter os serviços de uma companhia que teve ligações com os campos de extermínio nazista.
A empresa Degussa foi escolhida para fornecer o revestimento anti-pixação para as placas de concreto que compõem o memorial.
Revelações de que a empresa produziu o Zyklon-b, o gás usado nos campos de extermínio, provocaram protestos contra o contrato com a empresa.
"Foi uma discussão intensa e tomamos uma decisão complicada", disse Wolfgang Thierse, chefe dos curadores do memorial e membro do parlamento alemão.
"Decidimos continuar com a construção do memorial segundo os acordos vigentes, com todas as empresas com quem temos contrato."
Gás letal
A Degussa chegou a deter maioria acionária na Dagesch, a fornecedora do gás Zyklon B durante a era nazista.
O envolvimento da Degussa na construção do memorial deu início a um debate emocional na Alemanha, depois que membros da direção do memorial defenderam o afastamento da empresa no projeto, em setembro.
Críticos do afastamento, entre eles o arquiteto, lembraram que a Degussa tem um histórico exemplar no que se refere a como lidar com o seu passado, tendo sido sempre aberta e tendo contribuído para fundos de compensações a vítimas do regime nazista.
A argumentação a favor da manutenção da empresa no projeto intensificou a polêmica, que virou tema de editoriais na imprensa alemã. Políticos questionaram se o arrependimento da Alemanha estaria realmente sendo compreendido.
O repórter da BBC em Berlim, Ray Furlong, observa que a ironia é que os revestimentos anti-grafiti da Degussa protegeriam o memorial, exatamente, de vandalismos nazistas.
E existe também o aspecto prático: uma afiliada da Degussa construiu os alicerces. Excluir a empresa significaria demolir o que já está pronto e começar tudo de novo.
Mais um atraso poderia significar o fim do projeto, já muito adiado.