Após a luta contra o uso de minas terrestres, ONGs de todo o mundo se voltam agora para as bombas de fragmentação
Cerca de 80 organizações não-governamentais se uniram para lançar, em Haia, na Holanda, uma campanha que exige a proibição do uso de bombas de fragmentação, auxílio para as suas vítimas e a remoção de explosivos não retirados após conflitos.
A campanha antecede as negociações, em Geneva, sobre um novo protocolo para a convenção das Nações Unidas sobre armas convencionais.
Entre as ONGs representadas sob a sigla CMC (Cluster Munition Coalition), estão a Landmine Action e a Human Rights Watch.
Os grupos envolvidos calculam que pelo menos 92 países estão ameaçados pela presença deste tipo de explosivos, que não foram detonados, e outras munições.
'Inaceitável'
Cerca de 60 países têm bombas de fragmentação em seus arsenais. A CMC diz que os morteiros, foguetes e bombas de fragmentação matam milhares de pessoas durante, e muito tempo após, os conflitos.
O Afeganistão, o norte do Iraque e o Sudão estão entre as regiões mais afetadas.
A CMC classifica o rascunho de protocolo sobre armas convencionais como "inaceitavelmente fraco".
A organização Human Rights Watch diz que, atualmente, as bombas não estão diretamente violando a Convenção de Geneva, mas a CMC quer restringir seu uso dentro da lei internacional.
"No Iraque, a coalisão usou um número de bombas de fragmentação em áreas populadas", disse Andrew Purkis, chefe-executivo da ONG britânica Memorial Diana, Princesa de Gales.
"Foi um grande choque para várias organizações voluntárias, que não acreditavam que a coalizão pudesse fazer isto. É uma prática bastante ambígua em termos da Convenção de Geneva", disse Purkis.
Após a moratória, o próximo passo da CMC será exigir a proibição do uso das bombas de fragmentação.
Esta nova campanha tem o apoio de vários governos, incluindo o da Holanda, Canadá, Nova Zelândia e México.
A CMC diz que este apoio é um sinal de que a luta contra as bombas de fragmentação será tão bem-sucedida quanto a campanha internacional contra as minas terestres.