Um tribunal em Londres rejeitou nesta quinta-feira o pedido da Rússia para extraditar o chechênio Akmed Zakayev.
A corte aceitou a apelação dos advogados de Zakayev de que ele não teria um julgamento justo na Rússia e que até poderia sofrer tortura.
"Seria injusto e opressivo retornar Zakayev para a Rússia", disse o juiz Timothy Workman.
Moscou acusou o tribunal de politizar um caso criminal. "Mais uma vez, terroristas estão sendo separados em dois grupos: os bons e os maus terroristas", declarou a Promotoria-Geral da Rússia.
Tortura
Zakayev é acusado de vários crimes, incluindo seqüestro e assassinato de soldados russos.
As alegações se referem a incidentes ocorridos entre outubro de 1995 e dezembro de 2000, quando a Chechênia estava lutando por sua independência. Zakayev tem ligações com Aslan Maskhadov, o líder rebelde que se considera o presidente da Chechênia.
Os defensores de Zakayev dizem que as acusações têm motivos políticos e que ele seria torturado caso voltasse à Rússia.
O juiz Workman concordou e citou evidências dadas por testemunhas. "Cheguei à inevitável conclusão de que as autoridades russas estão preparadas para recorrer à tortura de testemunhas. Há um risco substancial de que Zakayev seria objeto de tortura", disse.
O grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional elogiou a decisão.
Esta é a terceira vez que a Grã-Bretanha rejeita o pedido da Rússia de extradição de cidadãos russos.
O empresário Boris Berezovsky e seu sócio Yuly Dubov ganharam, recentemente, a apelação contra suas extradições. Ambos receberam exílio político.
O analista da BBC sobre a Rússia, Stephen Dalziel, diz que ainda não está claro se esses casos terão um efeito negativo no relacionamento entre Londres e Moscou.