O líder palestino Yasser Arafat afirmou que Israel tem o direito de viver em paz ao lado de um futuro Estado palestino.
Em um discurso realizado nesta quarta-feira no Parlamento palestino, Arafat voltou a pedir o fim da violência entre israelenses e palestinos, alegando que nenhum dos dois lados está seguro.
Uma mensagem semelhante partiu do primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, que pediu um cessar-fogo e a retirada de Israel das cidades palestinas como pré-requisito para criar condições para as eleições palestinas, que devem se realizar até junho do ano que vem.
Mas o governo israelense reagiu afirmando que o discurso de Arafat não foi sincero.
Gabinete
O Parlamento palestino está reunido nesta quarta-feira para eleger seu novo gabinete, encerrando semanas discussões a respeito de sua composição.
Os representantes devem definir os novos ministros da Autoridade Palestina, liderados por Ahmed Korei.
A batalha entre o primeiro-ministro Korei e Arafat pelo controle das forças de segurança palestinas foi resolvida no domingo.
Korei anunciou então que não escolheria mais o cargo de ministro do Interior, que agora deve ser ocupado por Hakam Balawi, aliado de Arafat.
Estados Unidos e Israel estão preocupados com a possibilidade de Arafat manter uma forte influência nos assuntos relativos à segurança, mas já afirmaram que vão julgar o novo gabinete "por suas ações".
Hakam Balawi, o aliado de Arafat que deve ocupar o Ministério do Interior, terá a polícia, a defesa civil e a segurança preventiva sob sua responsabilidade. Arafat rejeitou a indicação de Korei para o ministério do Interior, Nasser Yousef.
Segundo o correspondente da BBC James Reynolds, o ministro do Interior é um dos cargos mais importantes pois é esse ministro que deve comandar as forças de segurança palestinas, um dos principais pontos de disputa com os israelenses.
A falta de acordo a respeito desta questão levou à renúncia do ex-primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, há dois meses.
O mais importante trabalho de segurança na região será entregue ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, do qual tanto Arafat quanto Korei são integrantes.
O conselho foi estabelecido em setembro para administrar os serviços de segurança nos territórios palestinos.
A formação do gabinete palestino deve abrir caminho para a retomada de negociações com Israel.