O consumo de medicamentos falsos aumentou em todo o mundo porque eles são fáceis de fabricar e podem ser vendidos a preços baixos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS está lançando uma campanha para acabar com o uso de remédios falsificados que, a organização adverte, podem ser prejudiciais à saúde ou até mesmo letais.
A organização estima que até 25% dos remédios utilizados nas nações em desenvolvimento são falsificados ou de qualidade ruim. O problema também é generalizado em países mais ricos, de acordo com a OMS.
Os medicamentos são utilizados com freqüência no tratamento de doenças que colocam em risco a vida do paciente como malária, tuberculose e Aids.
Viagra
A organização alerta que um dos produtos falsificados mais vendidos é o Viagra, que pode ser comprado com facilidade pela internet.
"O combate a medicamentos de má qualidade ou ilegais é hoje mais importante do que nunca. Expandir o acesso a tratamentos seguros e eficazes para a Aids ou outras doenças não é mais uma opção, mas um imperativo", disse o diretor-geral da OMS, Lee Jong-wook.
O órgão responsável pela liberação de alimentos e medicamentos no mercado americano (FDA, na sigla em inglês) estima que os medicamentos falsos compreendem mais de 10% do mercado global de remédios, gerando vendas anuais de mais de US$ 32 bilhões.
Uma pesquisa da OMS realizada entre janeiro de 1999 e outubro de 2000 revelou que 60% dos casos de remédios falsos ocorreram em países em desenvolvimento e 40%, em nações industrializadas.
"O problema está aumentando mundialmente devido à queda de barreiras comerciais", afirma Daniela Bagozzi, porta-voz da OMS.
Bagozzi também destaca a facilidade com que se produz remédios falsos. Em alguns casos, farinha foi colocada em cápsulas, que foram vendidas como medicamentos.
Indústria caseira
A OMS acredita que a fabricação de remédios falsos é uma indústria caseira, e a maior parte da produção é feita em quintais e não em grandes galpões.
Segundo a organização, o problema aumentou em parte por causa da falta de legislação que desencoraje a prática em vários países.
Agências internacionais, inclusive a OMS e a Interpol, iniciaram nesta terça-feira uma reunião de três dias em Hanói, para tentar lidar com o problema no Sudeste Asiático, onde a falsificação é um negócio de milhões de dólares.
Medicamentos falsos preocupam cada vez mais países como o Camboja, China, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietnã, onde, segundo a OMS, os remédios falsificados afetam programas de saúde pública.