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Acordo com os Tigres é ilegal, diz Kumaratunga

A presidente do Sri Lanka, Chandrika Kumaratunga, disse que o cessar-fogo que o primeiro-ministro assinou com os rebeldes do grupo Tigres Tâmeis é ilegal.

Em entrevista à BBC, a primeira desde o início da crise política no país, Kumaratunga afirmou que não assinou o acordo que Ranil Wickramasinghe fez no ano passado.

A luta pelo poder entre a presidente e o premiê veio à tona na semana passada, quando Kumaratunga declarou estado de emergência, suspendeu o Parlamento por duas semanas e afastou três ministros.

A crise põe em dúvida o cessar-fogo entre o governo e rebeldes, que foi obtido por mediadores noruegueses e assinado em fevereiros de 2002.

A presidente disse que não sabe se os rebeldes são "sérios" em relação ao acordo.

"Eu suponho que os Tigres querem a paz mas paz com um Estado separado. Isso está evidente no documento que foi apresentado para mim", afirmou Kumaratunga.

Mas ela afirmou que ainda poderá assinar o acordo.

Noruegueses

A presidente disse ainda que os mediadores noruegueses deveriam ser melhor instruídos.

Para o correspondente da BBC, Kumaratunga acha que os noruegueses passaram dos limites em sua função de mediadores e quer agora reverter a situação.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Noruega, Vidar Helgesen, deve ir ao Sri Lanka na segunda-feira para discutir a retomada das negociações de paz, após uma pausa de vários meses.

"Nada mudou aqui e nós temos garantias de ambos os lados de que o cessar-fogo será mantido", disse Agnes Bragadottir, da missão de monitoramento do Sri Lanka.

Os Tigres Tâmeis prometeram manter a trégua durante a crise política do país.