Juan Miguel Petit, enviado especial da ONU para tratar de prostituição infantil no Brasil, afirmou que o desafio é grande, porque os serviços sociais, de polícia e de Justiça são um problema no país.
Em entrevista ao programa News Hour, da BBC, Petit elogiou o fato de a sociedade brasileira estar discutindo o problema.
"Eles falam abertamente sobre o problema e o governo é muito crítico sobre sua própria atuação. É um processo muito interessante para se ver de fora: como um país discute um novo modelo de políticas sociais. E como eles lidam com um dos piores problemas que afetam os direitos da criança", disse.
Petit está no Brasil para uma missão de duas semanas. O Brasil é considerado um dos países mais ativos em comércio sexual internacional.
Tráfico
Para Petit, o fato de o Brasil fazer fronteira com diversos países agrava o problema.
"Temos muitas informações sobre diferentes rotas de tráfico de crianças", afirmou.
O enviado especial da ONU cita um recente estudo do governo, segundo o qual o Brasil tem mais de 240 redes de pornografia e prostituição infantil, ao afirmar que o combate a esse crime está apenas no começo.
"É importante saber que a informação sobre esse problema ainda está começando a aparecer. Porque isso não é estatística sobre desemprego ou crescimento nacional. É a descoberta de um problema antigo que só agora começa a ser combatido."
Petit afirma que sua missão não inclui a inspeção do sistema judiciário brasileiro.
O enviado da ONU vai conversar com integrantes do governo, membros de organizações de direitos humanos e pessoas comuns.