Paulo Sérgio Pinheiro, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), está em Mianmar para discutir a situação de direitos humanos no país.
O principal objetivo da visita é persuadir o governo militar de Mianmar a soltar a líder da oposição Aung San Suu Kyi, presa desde setembro.
Esta é a segunda vez que Pinheiro vai à Mianmar, em 2003. No início do ano, a viagem foi interrompida após a descoberta de aparelhos de escuta no quarto onde ele entrevistava prisioneiros políticos.
Não está definido se ele poderá encontrar Aung San Suu Kyi, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1991 e hoje luta pela democracia no país.
Há dois meses ela está em prisão domiciliar, após ser presa em maio por causa do violento confronto ocorrido entre seus partidários e simpatizantes pró-governo.
Estupro
Durante a visita à capital Rangoon, Pinheiro espera se reunir com importantes ministros de Mianmar, incluindo o premiê Khin Nyunt, representantes da oposição e grupos étnicos.
Sua prioridade será encontrar Aung San Suu Kyi, mas Pinheiro busca também ter acesso a outros líderes de oposição que se encontram detidos.
Existe uma série de assuntos na pauta do enviado.
Um deles é um detalhado inquérito sobre alegações de que o exército vem sistematicamente estuprando e matando mulheres de minorias étnicas, que vivem em áreas de conflito, junto a borda com a Tailândia.
Ameaça
Pinheiro procurará saber por que a investigação ainda não começou, apesar de aprovada pelo general Khin Nyunt na visita anterior.
O enviado da ONU irá pressionar o regime por uma investigação independente e confiável sobre os eventos de maio, quando Aung San Suu Kyi e seus seguidores foram violentamente atacados no norte do país.
Pinheiro reportará seus resultados à ONU, em pouco mais de duas semanas.
Se ele voltar de mãos vazias, é provável que a instituição adote uma resolução dura para Mianmar no próximo mês.