Um dos compromissos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Moçambique, país que ele visita nas próximas quarta e quinta-feira, é entrega simbólica de medicamentos anti-retrovirais para o tratamento de 100 doentes de Aids por um ano.
Moçambique é um dos países de um grupo de dez – cinco africanos e cinco latinoamericanos –, onde o Ministério da Saúde estará implantando o Programa de Cooperação Internacional para Outros Países em Desenvolvimento (PCI).
O projeto é parte da estratégia do governo brasileiro de mostrar que é possível combater a epidemia de Aids com eficiência, mesmo num país pobre.
“Queremos demonstrar que é possível fazer o tratamento e obter resultados positivos, como no Brasil”, diz Paulo Meireles, da Assessoria de Cooperação Externa do Programa Nacional de DST-Aids.
Treinamento
Além de fornecer os medicamentos, a maioria deles produzido pelo laboratório estatal Far-Manguinhos, o governo brasileiro dá o treinamento aos profissionais desses países sobre o tratamento correto.
As outras nações africanas incluídas no PCI são Namíbia, Burkina-Fasso, Burundi e Quênia. O Ministério da Saúde estuda ainda a inclusão de Angola. Na Namíbia o programa ainda está numa fase anterior.
“É a maneira de contribuirmos com a distribuição de medicamentos”, explica Meireles. O custo do tratamento por um ano para 100 pacientes é de US$ 60 mil (aproximadamente R$ 175 mil).
Contaminação alta
A contaminação com o vírus da Aids é muito alta na África, a ponto de ameaçar o futuro de vários países.
Enquanto no Brasil o índice de prevalência da doença (proporção de pessoas contaminadas em relação à população entre 16 e 49 anos) é de 0,65%, em Moçambique chega a 16%.
Na Namíbia e na África do Sul é ainda maior, em torno de 20%.
Na África do Sul a situação foi agravada pela relutância do governo, durante muito tempo, em aceitar a eficiência do uso de drogas anti-retrovirais (os coquetéis amplamente utilizados no Brasil).
O governo brasileiro também fornece, desde 2001, medicamentos para o tratamento de 400 pacientes na África do Sul, num convênio com a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras, que faz o trabalho de campo.
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