O primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, vai deixar o poder nesta sexta-feira depois de 22 anos no cargo.
Ele deve passar o cargo ao seu vice, Abdullah Badawi, em uma cerimônia simples, depois de uma emocionada despedida na reunião de gabinete e de um discurso no Parlamento, na quinta-feira.
De acordo com o correspondente da BBC em Kuala Lumpur, Jonathan Kent, o povo precisará de algum tempo para se adaptar à vida sem Mahathir, que dirigiu o país por metade da sua existência depois da independência.
Depois das orações de sexta-feira, Mahathir deve ir com Abdullah Badawi ao palácio real para um encontro com o rei da Malásia.
Mahathir deve entregar a sua renúncia e o rei imediatamente nomeará Abdullah como o quinto primeiro-ministro da história da Malásia.
Troca de cadeira
O foco das atenções então deve passar para o gabinete do primeiro-ministro, em Putrajaya, a principal cidade administrativa do país, onde Mahathir deve oferecer simbolicamente a sua cadeira ao seu sucessor.
Kent diz ainda que, apesar da discrição das manifestações oficiais para a mudança do governo, a população tem elogiado o líder efusivamente.
Cerca de 40% do povo malaio sequer era nascido quando Mahathir assumiu o cargo em 1981, e a vida sem o Doutor M., como ele é conhecido, será difícil de se adaptar.
Em seu último discurso no Parlamento, o primeiro-ministro resumiu o desenvolvimento do seu país nos últimos 50 anos – passando de produtor de borracha e estanho a país industrializado.
Ele alertou, no entanto, sobre o perigo de as liberdades democráticas levarem à anarquia.
Mahathir destacou que a composição étnica multiracial da Malásia é um potencial barril de pólvora e pode explodir a qualquer momento, caso a "unidade nacional" não seja tratada com carinho.
Sobre a sua aposentadoria, o líder apenas comentou que não alcançou tudo o que queria.
"Tive a minha época, é a vez dos outros, agora. Tive 22 anos, não posso reclamar."