A comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos fixou na quarta-feira um prazo de 48 horas para a CIA (o serviço secreto do país) lhe fornecer os arquivos de inteligência levantados antes do início da guerra do Iraque.
Os senadores da comissão afirmaram que a CIA tem até o meio-dia de sexta-feira (15h00 de Brasília) para apresentar os documentos e marcar entrevistas com os seus agentes.
A imprensa americana afirma que o relatório a ser produzido pela comissão deve ter conteúdo altamento crítico à atuação da CIA e do seu diretor, George Tenet.
No entanto, analistas destacam que o ataque à CIA pode ter um fundo político.
Sabatina
A comissão também exigiu na sexta-feira que George Tenet se apresente para uma sabatina no Senado, mas não fixou uma data ainda.
"Acreditamos firmemente que, em uma data a ser confirmada pela comissão, o senhor terá de comparecer em pessoa", afirmaram os senadores democratas e republicanos em uma carta.
O documento assinado pelo republicano Pat Roberts e pelo democrata John Rockefeller foi uma resposta à carta de Tenet, apresentada na sexta-feira, em que ele prometia fornecer as informações "o mais rápido possível".
No entanto, a comissão de senadores considerou essa frase "preocupante" e acabou estabelecendo um prazo.
A expectativa é que o relatório que será apresentado pela comissão acuse a CIA e Tenet de exagerarem os argumentos a favor da guerra contra Saddam Hussein.
No entanto, o correspondente da BBC em Washington David Bamford afirma que alguns democratas desconfiam de Tenet, que foi indicado para o cargo ainda durante a administração de Bill Clinton, esteja sendo usado como bode espiatório.
Ao tornar Tenet o centro das atenções, os republicanos estariam desviando as críticas da Casa Branca e do suposto mau uso das informações de inteligência feito por funcionários do governo Bush.