Os ataques desta segunda-feira à sede da Cruz Vermelha e a postos de polícia em Bagdá podem ter sido realizados por grupos religiosos do Iraque.
Esta é a opinião de analistas especializados em questões do Oriente Médio entrevistados pela BBC Brasil.
"A queda do regime de Saddam Hussein fez com que surgissem centenas de grupos políticos e religiosos que querem a sua parcela de poder", disse o professor sírio Walid Kazziha, do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Americana do Cairo.
Mas Kazziha não descarta que os autores dos ataques estejam ligados à rede Al-Qaeda, de Osama Bin Laden. "Apesar de os alvos não serem diretamente americanos, quem os escolheu queria mostrar que os Estados Unidos não estão conseguindo proteger ninguém nem realizar a reconstrução do Iraque."
'Sem evidências'
Já para Ahmad Lufti, coordenador para assuntos do Oriente Médio do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, da Grã-Bretanha, não há evidências de que os ataques tenham sido feito sob ordens da Al-Qaeda.
"Em 1998, a Al-Qaeda proclamou que um de seus objetivos era lutar contra os judeus e os cruzados. Agora alguém está fazendo isso no lugar deles, mas não necessariamente a pedido deles", afirmou.
Lufti também descarta a hipótese de ligação entre o governo de Saddam Hussein e a rede de Osama Bin Laden. "Eles tinham estruturas ideológicas completamente diferentes e, por isso, não poderiam ser aliados."
Ambos os analistas concordam que os ataques desta segunda-feira tiveram como objetivo "minar" a presença americana no Iraque.
"Estamos falando de um antiamericanismo muçulmano", concluiu o professor Ahmad Lufti.