O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton articulou um acordo inédito com quatro empresas para o fornecimento para países em desenvolvimento de genéricos usados no coquetel de tratamento da Aids.
As firmas da Índia e da África do Sul vão fornecer remédios para certos tratamentos a preços mais de 66% mais baratos do que as versões patenteadas.
Nove países no Caribe, além de Moçambique, Ruanda, África do Sul e Tanzânia, vão receber as drogas.
Clinton disse que pacientes de países que até agora não tinham esperanças de tratamento vão passar a ter acesso aos medicamentos graças ao acordo.
Organizações de combate à Aids elogiaram o trato, classificando-o de "conquista", com o potencial de salvar milhares de vidas.
O acordo foi acertado depois de intensas negociações entre os conselheiros da Fundação Presidencial William J. Clinton e as empresas envolvidas.
Preço módico
De acordo com o trato, o custo de um coquetel de genéricos vai sair por menos de US$ 0,40 por dia, em vez dos mais de US$ 1,50 dos remédios patenteados.
"Esse acordo vai permitir a chegada de remédios que salvam vidas a pessoas que precisam deles desesperadamente", afirmou Clinton.
O ex-presidente espera que cerca de 2 milhões de pessoas possam ser beneficiadas pelo trato até 2008.
O alto custo dos coquetéis de tratamento da Aids é um problema grave em países pobres.
Na África do Sul, estima-se que apenas 50 mil dos 4 milhões de soropositivos recebem tratamentos adequados.
"O acordo marca uma conquista crucial na calamidade da Aids e mostra que podemos, e devemos, lançar uma guerra bem-sucedida contra essa doença que pode ser prevenida e tratada", comemorou o cantor Bono Vox, vocalista do U2 e ativista anti-Aids.
A fundação de Clinton angaria recursos nos países ricos para ajudar a pagar pelas drogas.