O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou neste domingo que a nova gravação de áudio atribuída a Osama Bin Laden deveria servir para convencer o mundo a apoiar a chamada "guerra contra o terrorismo".
"A fita deveria ensinar para todo o mundo que a guerra contra o terror continua, que as nações livres ainda correm perigo", disse Bush, que está na tailândia para participar do encontro de líderes do bloco de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec, na sigla em inglês).
Na gravação, veiculada pela rede de TV árabe Al Jazeera, a voz atribuída a Bin Laden pede a retirada dos Estados Unidos do Iraque e alerta para mais ataques suicidas contra alvos americanos dentro e fora do país.
A Casa Branca anunciou que vai pedir uma análise da fita para verificar a autenticidade da voz.
Apelo
As emissoras de televisão em língua árabe têm recebido várias fitas de áudio e vídeo supostamente gravadas por Bin Laden desde a ofensiva americana no Afeganistão, em 2001.
A última, veiculada em 28 de setembro, foi atribuída a um dos principais assessores de Bin Laden, Ayman al-Zawahri, e pedia aos muçulmanos do Paquistão para tirar do poder o presidente Pervez Musharraf.
A mensagem divulgada neste sábado veio em duas partes.
Na primeira, a voz faz um apelo a todos os jovens muçulmanos do mundo, e "em especial, aqueles do Iêmen e de países vizinhos ao Iraque", para que perpetrem uma guerra santa no país.
"Vocês devem dar início a uma jihad (guerra santa). Vocês devem saber que essa guerra é uma nova cruzada contra o mundo islâmico e é fatal para toda a nação (islâmica)", diz a voz.
"Os Estados Unidos caíram na lama do (rio) Tigre e do (rio) Eufrates. Bush pensou que o Iraque e seu petróleo eram presas fáceis e agora ele está em uma situação crítica", continua a gravação.
Ameaça
A segunda fita continha uma mensagem endereçada à população americana.
"Eu digo aos americanos: "Nós, com a graça de Deus, continuaremos a combatê-los e a realizar operações de martírio (ações suicidas) dentro e fora dos Estados Unidos até que vocês abdiquem da opressão e de seus atos tolos".
"Nós mantemos o nosso direito de responder, no momento e no local propícios, a todos os países que estão envolvidos nesta guerra injusta (ao Iraque), principalmente Grã-Bretanha, Espanha, Austrália, Polônia, Japão e Itália", diz a voz.
"E as nações do mundo islâmico que também estão participando desta guerra, principalmente os países do Golfo, como o Kuwait, não serão excluídos", conclui.