O partido de centro-direta Nova Força Republicana, que faz parte da coalizão de governo do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, anunciou que está retirando o seu apoio ao governo e pediu a renúncia do presidente.
"Não há mais nada a fazer a não ser sair (do governo). Isso não pode continuar", disse Manfred Reyes Villa, líder do partido.
Ele fez os comentários logo depois de um encontro com o presidente Sánchez de Lozada.
Reyes Villa disse que o presidente insistiu em não renunciar, apesar de uma revolta de mais de um mês que recrudeceu na semana passada e já deixou 74 mortos.
Insistência
Ainda não houve comentário oficial do presidente depois da retirada de apoio de seus colegas.
A renúncia de Lozada continua sendo exigida por boa parte da população boliviana, que ocupa as ruas das principais cidades do país entrando em confronto com a polícia.
Reyes Villa afirmou não poder estar "contra a corrente do povo" e declarou que pediu que Lozada renunciasse. Três ministros do partido Nova Força Republicana que compunham o governo também renunciaram.
Agora, Lozada só conta com o apoio do partido Movimento da Esquerda Revolucionária, liderado por Jaime Paz Zamora.
Segundo correspondentes na Bolívia, os pedidos pela renúncia de Lozada aumentam a cada dia entre a população.
O presidente é criticado pela estagnação da economia boliviana e por um projeto comercial de exportar gás natural para os Estados Unidos e o México que, segundo a oposição, não traria benefícios para o país.
As manifestações paralisaram e isolaram grande parte da população da Bolívia. Além de La Paz, o caos se estende progressivamente a outras cidades como Cochabamba, Oruro, Potosí e Sucre.