Dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas da capital administrativa da Bolívia, La Paz, para pedir a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.
Há relatos de que a passeata desta quinta-feira é maior do que os protestos realizados nas últimas três semanas, em que o país viveu uma onda de confrontos entre manifestantes e o Exército, detonada por um plano do governo de exportar gás natural.
Apesar de o governo insistir que a situação está voltando ao normal, um correspondente da BBC na Bolívia afirma que, além de La Paz, as cidades de Cochabamba, Potosí e Oruro continuam paralisadas.
Os protestos se renovaram depois que a oposição rejeitou uma proposta de Lozada de realizar um plebiscito sobre o plano de exportações.
O plano propõe a venda de gás aos Estados Unidos, intermediada pelo Chile, que tem uma rivalidade histórica com a Bolívia.
Há informações não confirmadas de que mais de 74 pessoas teriam morrido desde o início da crise, há um mês.
La Paz está praticamente parada e já começa a faltar comida e combustível. Manifestantes estão montando barreiras nas principais estradas de acesso à cidade.
O porta-voz do governo Javier Torres Goitia disse à BBC que Lozada não vai renunciar porque a maioria da população em vários departamentos (regiões administrativas) quer que ele continue no poder.
Ainda segundo Goitia, vários manifestantes incendiaram lojas e atacaram a polícia a tiros e com morteiros.
Brasil
Na noite da quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio de dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para resgatar cerca de 50 brasileiros que estavam de passagem pela capital boliviana, La Paz, e não conseguiram deixar o país por causa dos protestos.
O governo brasileiro está disposto a enviar um negociador para a Bolívia, caso essa seja a vontade de Lozada.
“Se formos de utilidade, vamos lá sim”, disse à BBC Brasil o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pouco depois de desembarcar em Buenos Aires com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O assessor diplomático do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, detalhou a disposição do governo.
“Sabemos que o Brasil é bem visto dos dois lados. Tanto pelo governo como entre os manifestantes. Então, se formos chamados, iremos com certeza”, afirmou Garcia. “Nosso objetivo é participar da paz na região”.
O ministro Amorim ressalvou, porém, que o Brasil entende que qualquer saída deve ser pela via “pacífica e democrática”.
Antes de deixar o Brasil, Lula disse que a crise na Bolívia continua a merecer a maior atenção dele e do governo brasileiro como um todo, segundo o seu porta-voz, André Singer.
"Nesse sentido, o Brasil está disposto a fazer tudo que for considerado útil para ajudar os bolivianos a encontrar uma solução pacífica e legal para superar o mais rápido possível o atual momento de dificuldades", disse o porta-voz.
A postura brasileira confirma a decisão do governo Lula de liderar o processo de integração da região.