A onda de choques entre a política e manifestantes na Bolívia fez mais duas vítimas – mineradores que participavam de uma manifestação contra o governo em La Paz, na quarta-feira – elevando para mais de 50 o número de mortos.
Cerca de 2 mil mineradores participavam do protesto quando o confronto com as tropas do governo começou. Várias pessoas ficaram feridas.
La Paz está praticamente parada e começam a faltar comida e combustível na capital, enquanto os manifestantes montam barricadas nas principais autoestradas da região.
Na terceira maior cidade do país, Cochabamba, o principal político da oposição, Evo Morales, convocou novas manifestações e barricadas em estradas.
Na quarta-feira na Bolívia, líderes de vários grupos exigiram a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada em vários protestos.
"As pessoas não o apóiam mais", afirmou o desempregado Victor Raiz, de 27 anos, ao observar os protestos em Cochabamba.
No entanto, o porta-voz do governo, Javier Torres Goitia, disse à BBC que o presidente Sánchez de Lozada não vai entregar o cargo, porque a maioria das pessoas no interior do país o apóia – e ele não gostaria de dividir o país.
Vandalismo
Goitia também acusou os manifestantes de usarem armas e morteiros contra a polícia, além de realizar atos de vandalismo contra o comércio.
Os primeiros protestos começaram há cerca de cinco dias por causa dos planos do governo boliviano de exportar gás natural.
Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, violentos choques entre manifestantes e o Exército mataram pelo menos 63 pessoas e deixaram cerca de 150 feridos, principalmente em La Paz e no subúrbio industrial de El Alto.
Na terça-feira, o Exército boliviano chegou a usar tanques de guerra para proteger o palácio presidencial.
Como consequência das manifestações, Lozada decidiu adiar a implantação do polêmico programa de exportação de gás natural para 31 de dezembro.
A estratégia de livre-mercado do presidente boliviano, que é centrada nas boas relações com os Estados Unidos, tem provocado muitas críticas no país.
Lozada insitiu que não vai deixar a Presidência e afirmou que há um plano, de origem estrangeira, para destruir a democracia na Bolívia.
Os Estados Unidos deram seu apoio a Lozada, afirmando que não vão colaborar com qualquer regime que se instaure por meios não democráticos.