O presidente da Bolívia, Gonzalo Sanches de Lozada, determinou nesta segunda-feira a suspensão das exportações de gás natural para novos mercados.
A demanda foi o pivô dos protestos que ocorrem há uma semana na Bolívia e já teriam provocado a morte de pelo menos 30 pessoas.
Horas antes de se decidir pelo fim das exportações, Lozada afirmou em rede nacional de TV que não renunciaria e tentaria contornar a crise.
Segundo o presidente, os planos ficarão suspensos até 31 de dezembro, prazo dado à consulta de vários setores da sociedade sobre a exportação. Alguns sindicalistas afirmaram, no entanto, que continuarão protestando até a renúncia do presidente.
Violência
A violência esteve mais intensa em El Alto, cidade de 500 mil habitantes nos arredores de La Paz.
Em seu discurso, Lozada acusou a oposição de estar armando um complô contra ele, financiado por interesses estrangeiros e liderado pelo deputado Evo Morales.
O presidente fez o discurso depois de se reunir com a cúpula de seu governo.
Depois da mensagem presidencial, a polícia se retirou das ruas de El Alto, o que acalmou os manifestantes.
O clima de tensão, no entanto, continua.
Segundo o correspondente da BBC na Bolívia, Luis Crespo, El Alto permanece paralisada, e praticamente não há mais alimentos disponíveis.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos ofereceu o seu apoio a Lozada e pediu que todos os líderes políticos da Bolívia expressem publicamente o seu apoio à democracia boliviana.
Afastamento
O departamento afirmou ainda que nem a comunidade internacional nem os Estados Unidos apoiarão um regime que resulte de meios não-democráticos.
De El Alto, há informações de que pelo menos quatro pessoas morreram nesta segunda-feira durante confrontos entre manifestantes e a polícia. Hospitais afirmam que pelo menos outras 26 pessoas teriam morrido e sessenta estariam feridas.
O vice-presidente boliviano, Carlos Mesa, anunciou que deixou de apoiar Lozada por causa da forma com a qual ele está lidando com a crise, mas afirmou que não iria renunciar.
Já o ministro para o Desenvolvimento Econômico, Jorge Torres Obleas, decidiu pedir demissão.