Um acordo não oficial, ou "virtual", entre israelenses e palestinos moderados aumentou as esperanças de uma eventual trégua no Oriente Médio, mas também trouxe uma chuva de protestos de ministros do governo israelense.
O acordo foi rubricado na Jordânia no fim de semana e há planos para que seja assinado em Genebra no mês que vem.
Não há esperança de que o "Acordo de Genebra", como os jornais israelenses o estão chamando, seja aplicado no futuro próximo.
A realidade presente é de conflito e não de acordos, mas o documento oferece uma visão alternativa e uma referência para os que buscam algum tipo de solução de meio-termo.
Pontos Básicos
O documento também serve como uma alternativa para a estratégia atual de negociações, representada pelo plano de paz defendido por Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU.
A proposta internacional tenta criar condições seguras sob as quais um acordo possa ser feito.
O "Acordo de Genebra" reverte isso ao propor um acerto, ou acordo inicial, que posteriormente levaria à paz.
O plano alternativo resolve questões ainda não acertadas, incluindo o direito de retorno para refugiados palestinos, o controle de Jerusalém e os assentamentos israelenses na Cisjordânia.
Os pontos básicos são os seguintes:
Os pontos mais delicados parecem ser as questões do direito de retorno e da divisão de Jerusalém.
Ao desistir de seu precioso "direito de retorno", os palestinos estariam abandonando as esperanças de recriar um Estado palestino unificado.
Ao desistir formalmente do controle sobre o Monte do Templo, os israelenses estariam aceitando a divisão de Jerusalém, algo a que sempre se opuseram.
Os negociadores
As pessoas por trás desse documento são conhecidas por suas tentativas anteriores de apontar um caminho à frente, especialmente o Acordo de Oslo.
No lado israelense, o ex-ministro trabalhista Yossi Beilin é a figura principal, mas há outros, incluindo Amram Mitzna, que liderou durante curto período o Partido Trabalhista, e o escritor Amos Oz.
Segundo Yossi Beilin, seus críticos diriam que "este é um acordo ruim, que nós cedemos e desistimos de tudo, mas o que não poderão dizer é que não há um parceiro (para se negociar com)".
No lado palestino, a principal liderança é Yasser Abed Rabbo, um ex-ministro palestino que chamou este momento de "início de uma nova era".
Segundo relatos, o líder palestino Yasser Arafat estaria sendo informado do andamento das discussões, mas não é claro se ele apóia o novo plano.
Protestos
A "nova era", no entanto, está bem distante. Ministros israelenses fizeram fila para protestar contra o acordo.
"Existe um governo em Israel e tudo mais é virtual na melhor das hipóteses", disse o ministro das Relações Exteriores, Silvan Shalom.
"Existe um plano de paz, e não ajuda muito as pessoas pensarem que pode haver um outro", afirmou o primeiro-ministro Ariel Sharon.
De fato, o pensamento no governo israelense parece seguir na direção apontada por um ministro, Ehud Olmert, ex-prefeito de Jerusalém, na semana passada.
Olmert disse que um acordo com os palestinos é "impossível" e que "nós estamos muito mais perto de um processo unilateral que vai criar fatos irreversíveis".
Isso quer dizer que Israel decidiria sozinho onde suas fronteiras devem ficar. O vão entre essa visão e aquela embutida no plano não oficial é amplo, talvez impossível de ser preenchido.