O Conselho de Segurança da ONU fez uma reunião de emergência, a pedido da Síria, para discutir o ataque realizado pelo governo de Israel no território sírio.
O embaixador sírio na ONU, Faisal Mekdad, pediu aos integrantes do Conselho que condenem o que ele chamou de agressão militar de Israel à soberania e ao território da Síria.
Israel disse que seu objetivo era um campo de treinamento usado pelo grupo palestino Jihad Islâmico - que assumiu responsabilidade por um ataque suicida que matou 19 pessoas na cidade de Haifa, no sábado.
A reunião do Conselho foi adiada sem votação. Agora serão feitas novas consultas.
Lado errado
Damasco insistiu que o local atacado por Israel é uma zona de civis.
Disse que Israel estava ameaçando a segurança no Oriente Médio com o primeiro ataque em território sírio em mais de 20 anos.
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte, pediu a todos que evitassem aumentar a tensão, mas acrescentou:
"Os Estados Unidos acreditam que a Síria está do lado errado na guerra ao terrorismo".
O correspondente da BBC na ONU, Greg Barrow, diz que as declarações de Negroponte indicam que Washington não veria com bons olhos uma resolução que condene Israel e ignore o papel de outros atores no Oriente Médio.
'Horror'
Em discurso na Conselho de Segurança, o embaixador de Israel, Dan Gillerman, alertou outros países a não darem apoio a uma resolução síria que condene a ação de Israel.
"A Síria não merece apoio por sua cumplicidade em assassinato e o Conselho estaria cometendo um ato de cegueira imperdoável se agir de outra maneira", disse ele.
Gillerman deixou a sala de reuniões imediatamente após terminar o discurso para celebrar o feriado religioso judeu de Yom Kippur, o Dia do Perdão.
Mais cedo, ele expressara seu "sofrimento e horror" pelo fato de o Conselho de Segurança ter concordado em fazer a reunião de emergência, especialmente devido ao feriado judeu e ao ataque suicida no sábado.
"A Síria pedir uma reunião do Conselho de Segurança é como se Bin Laden tivesse pedido uma reunião do Conselho de Segurança depois de 11 de setembro" (de 2001, dia dos ataques terroristas nos Estados Unidos), disse.
Mas o embaixador israelense se recusou a falar se Israel planejava futuros ataques na região. Disse apenas que "Israel continuará a fazer o que for necessário para proteger a vida de seus cidadãos".
Ele disse que ficaria "muito surpreso" se os Estados Unidos apoiassem a resolução da Síria, lembrando que o presidente americano, George W. Bush, condenara a Síria como parte do "eixo do mal".
Mudança
Israel disse que o objetivo do ataque aéreo era o campo de Ein Saheb, a 22 quilômetros de Damasco, que, segundo os israelenses, é usado por vários grupos militantes, inluindo Hamas e Jihad Islâmico.
A mídia síria descreveu Ein Saheb como um campo para refugiados palestinos.
Segundo Kim Ghattas, correspondente da BBC em Damasco, a diplomacia é o caminho mais seguro para a Síria, devido ao fato de o exército sírio estar obsoleto.
O ataque de Israel marca uma clara mudança de política do país, que normalmente responde aos ataques suicidade palestinos com ataques contra alvos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
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