O Conselho de Segurança da ONU irá realizar um encontro de emergência ainda neste domingo para discutir o ataque realizado pelo governo de Israel no território da Síria.
O encontro está sendo realizado a pedido do governo sírio, que apresentou uma reclamação formal dizendo que Israel estava ameaçando a segurança no Oriente Médio com o ataque, o primeiro em território sírio em mais de 20 anos.
Aviões de guerra israelenses atacaram o que Israel diz ser “bases de treinamento de militantes palestinos” perto da capital Damasco. A operação foi realizada em resposta ao ataque suicida do sábado em um restaurante de Haifa, no norte de Israel, no qual morreram 19 pessoas.
O departamento de Estado americano fez um apelo para que tanto a Síria como Israel "evitem ações que possam levar a um aumento da tensão".
A Síria e Israel são 'inimigos' antigos, tecnicamente ainda em guerra por causa da ocupação e anexação ilegal por Israel das Colinas de Golã.
Moderação
O ministro do Exterior da Síria, Farouk al-Sharaa, disse que a operação israelense "ameaça a segurança e a paz na região e internacionalmente e poderia agravar a situação já em deterioração (do Oriente Médio)".
Ele pediu para que o Conselho de Segurança avalie medidas para impedir que Israel continue com "sua política agressiva e provocativa".
"A Síria tem exercido o mais alto nível de moderação, percebendo que Israel tem tentado criar prestextos... para exportar a sua crise interna para a região", disse Sharaa em sua carta ao Conselho de Segurança.
O correspondente da BBC em Beirute, Kim Ghattas, diz que, levando em consideração o estado em que se encontra o Exército da Síria, a diplomacia é a opção mais segura para o governo.
O porta-voz do governo de Israel, Avi Pazner, enfatizou que a ação não era direcionada contra a Síria, mas, sim, contra o Jihad Islâmico, que disse ter realizado o ataque de sábado.
Ele disse que qualquer país tem de entender que será responsabilizado por proteger terroristas.
Mudança de política
De acordo com um comunicado militar, o alvo era o “campo de Ein Saheb”, que fica a cerca de 20 km de Damasco, a capital da Síria.
Israel alega que o campo era usado para treinar militantes dos grupos Jihad Islâmico e Hamas. A imprensa síria descreveu o local como um campo de refugiados palestinos.
Um porta-voz do Jihad Islâmico negou ter "qualquer campo de treinamento ou base na Síria ou em qualquer outro país".
Um comandante de um outro grupo militante, a Frente Popular para a Liberação da Palestina, disse que o campo era uma de suas bases desativadas.
O Exército israelense divulgou um vídeo, aparentemente filmado há 18 meses pela TV iraniana, mostrando um campo e munições.
A ação israelense fez parte de uma série de ataques realizados por tropas israelenses desde o atentado de sábado.
Mais cedo, a casa da palestina apontada com a autora do atentado em Haifa foi demolida.
Ataques com mísseis também foram realizados em diferentes pontos da Faixa de Gaza, onde fica sediado o grupo Jihad Islâmico.
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