Terminou a votação na república russa da Chechênia. Os resultados iniciais dão conta de que o administrador apontado pela Rússia, Akhmad Kadyrov, deverá vencer o pleito.
O correspondente da BBC na Chechênia, Steve Rosenberg, disse que os postos de votação se pareciam mais com bases do Exército, com tropas russas, além da polícia, guardando a entrada.
Segundo o governo russo, a intenção da eleição é “normalizar” a situação da república, que enfrenta quase uma década de confrontos – movimentos separatistas levaram a guerras com os russos em 1994 e 1999.
No entanto, para vários grupos ligados ao movimento pelos direitos humanos dentro e fora da Rússia, a eleição deste domingo é uma “farsa” e não deve resolver os problemas da região, que ainda vive sob o estigma da violência e de atentados constantes contra as tropas russas que a ocupam
Resultados iniciais indicam que Akhmad Kadyrov está na frente com 90% dos votos em um distrito e quase 80% em outro, segundo a agência de notícias russa Interfax.
Mais de 81% dos estimados 545 mil eleitores foram às urnas, segundo o chefe da comissão eleitoral citado pela agência de notícias.
Os resultados oficiais devem ser divulgados na segunda-feira.
Sem rival
Todos os rivais de Kadyrov com chances de vencê-lo nas urnas deixaram a corrida ou foram desqualificados antes das eleições – ficaram no páreo seis candidatos desconhecidos e pouco expressivos.
Os críticos dizem que os candidatos sofreram pressão para desistirem de concorrer.
Além da suspeita de pressão política, há dúvidas sobre o exato tamanho do eleitorado checheno.
Segundo a comissão eleitoral chechena, 545 mil pessoas estão aptas a votar.
No entanto, Aslanbek Aslakhnov, um dos candidatos que abandonou a corrida eleitoral, diz que pelo menos 200 mil nomes da lista oficial são fraudulentos, incluindo pessoas mortas.
Também calcula-se que 60 mil nomes da lista pertençam a pessoas que foram desalojadas pelo conflito e que cerca de 30 mil sejam de soldados russos alocados na Chechênia.
Durante o referendo que ocorreu em março para definir a atual eleição, as pessoas que foram desalojadas pela guerra e deixaram a região tiveram que voltar à Chechênia para garantir o direito de voto. Dos 60 mil, apenas 3 mil se registraram.
O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu a votação deste domingo como a primeira eleição presidencial da república.
Em 1997, porém, após o fim da primeira guerra da última década, os chechenos realizaram uma eleição, elegendo como presidente Asian Mashadov, que hoje é um líder rebelde lutando pela independência total da região.