http://www.bbcbrasil.com

Muro de Israel é 'ilegal', diz relatório da ONU

Um relatório de direitos humanos da ONU acusou Israel de praticar "anexação ilegal" de território palestino ao erguer um muro separando o país dos territórios da Cisjordânia.

John Dugard - especialista em direitos humanos escolhido pelas Nações Unidas para estudar a construção - afirmou que o traçado da barreira invade muito a área palestina.

Segundo ele, nas leis de direito internacional a anexação de território dessa forma se chama conquista. O governo de Israel diz que o objetivo do projeto é conter o terrorismo palestino.

O documento afirma que mais de 200 mil palestinos serão afetados pela construção - centenas de quilômetros de muros, cercas e obstáculos para impedir a passagem de pessoas ou veículos.

Os palestinos prejudicados terão suas casas separadas de seus campos, locais de trabalho, escolas ou hospitais.

O relatório foi divulgado pouco antes de um encontro do gabinete do primeiro-ministro Ariel Sharon em que espera-se que Israel aprove o traçado final da barreira.

Os Estados Unidos já expressaram sua insatisfação com pelo menos um parte do traçado - aquela em que o assentamento de Ariel, cerca de 20 km dentro da parte palestina de acordo com a fronteira determinada em 1967, é colocado dentro do território israelense.

Nuclear

Enquanto isso, países árabes atacaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por "ignorar" Israel em suas críticas.

Egito, Síria e Arábia Saudita disseram que a entidade está ignorando as armas de destruição em massa de Israel.

Os comentários foram feitos num momento em que a AIEA pressiona o Irã para provar que suas usinas de energia nuclear não estão sendo usadas na fabricação de bombas atômicas.

Diferentemente do Irã, Israel não é signatário do Tratado de Não-Proliferação. O país não admite oficialmente ser uma potência nuclear, mas acredita-se que Israel tenta esse tipo de armas.