O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que seu país permanece indeciso sobre assinar ou não o acordo de Kyoto para a eliminação de gases poluentes.
A afirmação foi feita na abertura de uma conferência internacional sobre mudanças climáticas realizada em Moscou.
Putin declarou que ainda está estudando o protocolo. "A decisão será tomada no fim destes trabalhos e levando-se em consideração os interesses nacionais da Rússia", disse ele.
A aprovação da Rússia é fundamental para que o pacto de 1997 ganhe força como lei internacional depois que os Estados Unidos desistiram do tratado há dois anos.
Lei
O protocolo só pode entrar em vigor quando 55% dos países – representando igual porcentagem de emissão de gases poluentes em todo o mundo – assinarem o documento.
Cientistas afirmam que esses gases contribuem para o efeito estufa, que estaria elevando a temperatura na Terra.
Com a recusa dos Estados Unidos em assinar o protocolo, a ratificação da Rússia é crucial para o sucesso do acordo.
Autoridades russas disseram que o país necessita ter garantias de que haverá investimento estrangeiro em tecnologia industrial antes de endossar totalmente o protocolo de Kyoto.
Sem isso, disseram essas autoridades, a União Européia e outros países vão "esperar em vão".
Os especialistas têm dificuldades em interpretar quais são os reais motivos da Rússia.
Pode ser que o país esteja esperando pelo melhor acordo financeiro; pode ser uma resposta à pressão dos Estados Unidos, que querem ver o acordo fracassar; ou pode ser o resultado de disputas dentro da complexa máquina de governo russa.
Os países desenvolvidos serão obrigados a manter a emissão de dióxido de carbono no período de 2008 a 2012 nos mesmos níveis de 1990. No caso da Rússia, o limite será 5% mais alto.
Mas pelo fato de muitas indústrias terem entrado em colapso depois de 1990, com a abertura política, a emissão de dióxido de carbono já havia, na verdade, diminuído.
Pelo protocolo de Kyoto, a Rússia teria, então, cotas extra de permissão para emitir poluentes, que poderiam ser vendidas para outros países para ajudá-los a se manterem dentro do compromisso.
Apesar dessas possibilidades, o governo do país permanece relutante.