A escolha dos 31 novos cardeais nomeados pelo papa João Paulo 2º deve fortalecer a ala conservadora da igreja Católica, segundo o padre e teólogo suíço Hans Küng.
Para ele, a não ser que entre os nomeados esteja disfarçado um "Gorbachov católico" – ou seja, um reformista – a eleição para o novo papa seguirá a linha conservadora defendida por João Paulo 2º.
"Está claro que o papa pretende predeterminar as eleições papais", afirmou Küng.
Com as novas indicações, 96% dos cardeais atuais foram escolhidos por João Paulo 2º. Entre eles está Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro.
Além dele, foram nomeados sete funcionários do Vaticano e ainda arcebispos de países como Itália, Nigéria, França, Espanha, Vietnã, Polônia, Estados Unidos, Guatemala e Índia.
Saúde
Com a saúde de João Paulo 2º cada vez mais debilitada, crescem as especulações sobre seu sucessor, em um momento em que a igreja Católica atravessa uma das fases mais difíceis de sua existência.
"Hoje, a igreja Católica nos Estados Unidos está à beira de um declínio irreversível ou de uma transformação completa", diz Küng, referindo-se aos estragos causados pelos casos de pedofilia envolvendo padres da região de Boston.
O especialista em teologia, Francisco Pimentel, concorda com a análise. Para ele, o estrago foi tão grande que dentro da cúpula católica existe quase uma unanimidade sobre a necessidade de mudanças.
"O próximo papa tem que ser progressista, os cardeais sabem disso", afirma Pimentel.
"O número de fiéis no mundo inteiro está caindo. No Brasil a igreja católica perde milhares de fiéis para as igrejas evangélicas a cada ano."
Reformista
Apesar das pressões por mudanças, o padre suíço Küng acha difícil que entre os recém-nomeados cardeais esteja algum reformista.
"Nunca ouvi qualquer coisa sobre qualquer um deles que mostre que eles são mais abertos", destaca.
Dom Eusébio, entretanto, já causou polêmica ao defender a descriminação das drogas do Brasil, embora, apesar disso, seja considerado conservador.
Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de participar da eleição papal.
O nome de um dos cardeais nomeados foi mantido em sigilo. O Vaticano age assim quando o cardeal apontado vem de um país em que a igreja é oprimida.
Os indicados assumem o cardinalato em uma assembléia de cardeais – conhecida como consistório – presidida pelo papa, no dia 21 de outubro.
Esta foi a nona ocasião em que o papa João Paulo 2º nomeou novos cardeais.