O presidente americano, George W. Bush, e o seu colega russo, Vladimir Putin, iniciaram uma reunião de cúpula de dois dias, em Camp David, Estados Unidos, em meio à divisões quanto às discussões dos projetos nucleares do Irã.
Bush deve pedir que a Rússia suspenda seu programa de cooperação nuclear com o Irã. Os Estados Unidos acusam o governo iraniano de tentar desenvolver armas de destruição em massa.
Além da questão do Irã os dois líderes devem discutir planos de paz para o Oriente Médio, a reconstrução do Iraque e o conflito entre Rússia e a província separatista da Chechênia.
Putin foi recebido pelo presidente americano em Camp David, perto de Washington, com um aperto de mão e posaram para fotografias. Em seguida os dois foram levados para a reunião.
Usina
Até agora a Rússia tem recusado os pedidos dos Estados Unidos de acabar com sua ajuda ao programa nuclear iraniano.
A Rússia vai construir a primeira usina do Irã, no porto de Bushehr, no sul do país, e fornecer até urânio, de acordo com um contrato de dez anos que começa a vigorar em 2005.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sob pressão dos Estados Unidos, fixou um prazo até o fim de outubro para o governo de Teerã esclarecer as suspeitas de que estaria desenvolvendo armas atômicas.
A reunião de cúpula de dois dias começou na noite de sexta-feira. O último encontro dos dois líderes aconteceu em junho, em São Petersburgo, na Rússia.
O presidente americano também deve pedir a Putin que ajude na formulação de uma nova resolução sobre o Iraque para dividir o ônus da reconstrução e da manutenção da paz no país.
Putin foi um dos líderes que se opôs a ação militar americana no Iraque e já manifestou a sua preocupação com o agravamento da situação no país.
No entanto, na rodada de São Petersburgo, os dois presidentes concordaram que, apesar de tudo, a crise no Iraque fortaleceu os laços entre os seus países.
Mais verba
Já as operações Rússias na Chechênia não devem ser um ponto tão pacífico.
O vice-subsecretário de Estado americano, Steven Pifer, afirmou na semana passada que o conflito com os separatistas está entre os assuntos mais delicados da reunião.
Putin acusou os Estados Unidos de conversas secretas com representantes dos separatistas em uma reunião com jornalistas americanos.
O correspondente da BBC David Bamford lembra que, no último encontro entre os dois líderes, Bush descreveu Putin como honesto e direto.
No entanto, anúncios pagos por inimigos políticos do presidente russo pipocaram em vários jornais americanos na última semana, questionando a aparente amizade entre os dois.
Segundo os anúncios, Putin "passou uma conversa no Ocidente para ser visto como um liberal enquanto ele atropela a democracia e autoriza crimes de guerra na Chechênia".