De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 58ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) serviu para impulsionar a candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da instituição.
“Houve um impulso, sim, resultante de um esforço contínuo do Brasil num processo que será longo e complexo,” disse Amorim.
“É uma reforma que tem que ser aprovada por dois terços dos membros do Conselho e depois ratificada por eles. Além disso, os cinco membros permanentes também têm que aprovar.”
Segundo Amorim, a entrada do Brasil no Conselho de Segurança, que passa necessariamente pela reforma do órgão, faz parte do “imperativo de que as decisões da ONU adquiram efetividade.”
Apoio alemão
Na terça-feira, depois de discursar na ONU, Lula encontrou-se com o primeiro-ministro alemão, Gerhard Schröder.
No encontro, de acordo com Amorim, Schöder disse que a Alemanha apóia a candidatura brasileira.
“O chanceler Schröder disse que é natural, num projeto de reforma do Conselho, que haja pelo menos três países em desenvolvimento com assento permanente. E seguramente um deles será o Brasil", disse.
A Alemanha exerce o mandato rotativo do Conselho de Segurança.
Por enquanto, o apoio mais forte à candidatura brasileira vem da França, que é membro permanente do Conselho, ao lado dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia e China.
Prestígio
Amorim disse ainda que o Brasil hoje goza de um prestígio e uma liderança internacional que são frutos de um trabalho contínuo.
“O Brasil não tem a intenção única e imediatista de ter um assento no Conselho,” afirmou.
“Cada uma das nossas iniciativas, como a nossa participação em Cancún, a aproximação com a América Latina, Ásia e África tem um mérito em si e de longo prazo.”
Sobre uma virtual competição entre o Brasil e a Argentina por uma vaga permanente do Conselho, Amorim afirmou que “tanto a Argentina conhece as aspirações do Brasil quanto o Brasil conhece algumas das preocupações da Argentina.”
“Isso será resolvido como um processo, de uma maneira irmã, que é como isso tem de ser resolvido,” concluiu.
Nesta quarta-feira, Lula terá um encontro com os presidentes da Argentina, Nestor Kirchner; da Rússia, Vladimir Putin; e da Argélia, Abdelaziz Bouteflika.